A PetroRio fechou a compra de fatias da britânica BP em dois blocos no pré-sal, em uma rara transação na região altamente produtiva, por US$ 100 milhões, o que tornará a companhia brasileira operadora dos ativos.

O negócio anunciado nesta quinta-feira, que impulsionou em cerca de 25% as ações da PetroRio, envolve a compra de 35,7% no bloco BM-C-30, que abriga o campo de Wahoo, e 60% do bloco BM-C-32 (Itaipu), permitindo que a empresa explore sinergias com suas operações atuais, disse o CEO da PetroRio, Roberto Monteiro.

Os planos da petroleira preveem explorar Wahoo com um navio-plataforma (FPSO) que já tem sido usado em seu campo de Frade.

“Esse campo (Wahoo) não é só resiliente por si só, como ele também deixa a PetroRio muito mais resiliente, contribui muito para a empresa como um todo. A preços de hoje do petróleo, esse investimento tem as maiores taxas de retorno que já tivemos dentro da companhia, é realmente diferenciado”, afirmou.

As cotações do petróleo Brent, referência internacional, estão na casa de US$ 44 por barril, depois de terem começado o ano perto de 70 dólares, em meio aos impactos da crise do coronavírus sobre a demanda global por combustíveis.

Com potencial para extração de mais de 140 milhões de barris, Wahoo teve descoberta de óleo em 2008 e teste de formação em 2010. A PetroRio avalia que a produção do campo poderá superar 40.000 barris por dia.

Para explorar a área com o FPSO de Frade, a empresa prevê investir US$ 300 milhões no chamado “tieback”, além de US$ 40 milhões em ajustes e outros itens. São estimados ainda US$ 360 milhões em perfuração de poços e US$ 100 milhões para equipamentos “subsea”.

A PetroRio pretende realizar esses aportes em regime de parceria com os membros do consórcio responsável por Wahoo– IBV (35,7%) e Total (28,6%) –mas também está pronta a levar a iniciativa adiante sozinha se necessário.

“Os sócios vão poder querer participar ou não. Podemos pensar em fazer a operação sozinhos. Vamos ter que levantar mais dinheiro, mas os retornos também são muito maiores”, afirmou.

Segundo Monteiro, a companhia teria duas alternativas para financiar os investimentos –com dívida ou emissão de novas ações, embora a visão sobre o endividamento seja cautelosa, devido à meta de manter uma alavancagem saudável.

O primeiro óleo de Wahoo deve acontecer em aproximadamente dois anos após o início do projeto.

“Quando você começa com o primeiro óleo, depois você coloca 40 mil bpd para produzir rapidamente”, projetou Monteiro. Ele disse que o patamar deve ser atingido com a perfuração de 4 poços, que poderiam ser concluídos em de dois a três meses cada.

O plano de desenvolvimento do campo deve estar pronto em meados de 2021, quando também são previstas as negociações com os possíveis parceiros.

A transação será paga em uma parcela fixa de US$ 100 milhões –dividida em cinco pagamentos até a conclusão do negócio, além de US$ 15 milhões em dezembro de 2021 e o remanescente em 2022. Há ainda previsão de “earn-out” de US$ 40 milhões contingentes na unitização de Itaipu.

Wahoo se situa a entre 30 e 35 quilômetros ao norte de Frade, com lâmina d’água de 1.400 metros e reservatório carbonático na camada do pré-sal a uma profundidade de 5 mil a 7 mil metros.

“O óleo no campo é de excelente qualidade, com 30º API, baixa viscosidade, e gás associado que será utilizado na geração de energia do FPSO de Frade”, destacou a PetroRio.

Já o campo Itaipu, descoberto em 2009, com três poços piloto perfurados, encontra-se próximo ao cluster Parque das Baleias, e estudos preliminares realizados indicam que a acumulação é potencialmente compartilhada com a região sudeste do cluster.

Com isso, essa área poderá passar por processo de “unitização” antes de qualquer definição de desenvolvimento, explicou a PetroRio.

NEGÓCIOS NO RADAR

O pagamento pelos blocos da BP “cabe perfeitamente no fluxo de caixa” da PetroRio, disse o CEO da empresa, ao destacar que buscará em paralelo alternativas para financiar os investimentos no desenvolvimento dos ativos, a começar por Wahoo.

Mas o negócio não esgotou o apetite da companhia por crescimento, acrescentou ele. “A gente continua olhando oportunidades, sim, de maneira bem seletiva.”

Nesse sentido, a PetroRio buscará priorizar ativos que possam ser explorados por meio do compartilhamento de suas infraestruturas, aproveitando sinergias e reduzindo custos.

Um dos movimentos no radar é um processo de venda, pela Petrobras, do campo de Albacora, próximo de Frade.

“A gente olha todos processos da Petrobras. Um que chama atenção é o de Albacora”, disse Monteiro, embora com a ressalva de que o negócio envolveria um esforço devido aos elevados valores potencialmente envolvidos.

“Da maneira certa, talvez com um parceiro, pode fazer sentido, sim’, afirmou.

A Petrobras disse nesta semana que avançou para a chamada fase não-vinculante de processo para a venda de Albacora e Albacora Leste, em águas profundas na Bacia de Campos.

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