Os investimentos diretos no Brasil despencaram em abril para apenas US$ 234 milhões, o pior resultado para o mês desde 1995, quando US$ 168 milhões entraram no país. Isso revela a falta de apetite dos investidores por ativos brasileiros, no contexto de profunda crise causada pelo coronavírus.

Qual era a expectativa para abril? Em pesquisa feita pela Reuters, a expectativa era de investimentos diretos no País (IDP) de US$ 1,9 bilhão, e o próprio Banco Central estimava ingressos líquidos de US$ 1,5 bilhão.

Como foram os meses anteriores? O dado divulgado hoje representa uma queda acentuada ante  a entrada de US$ 5,1 bilhões em abril de 2019.

E as transações em conta corrente? Segundo dados do BC divulgados nesta terça-feira (dia 26), houve um saldo positivo em transações correntes de US$ 3,8 bilhões no mês passado, o que representa, também, um recorde para a série histórica mensal iniciada em janeiro de 1995. O dado veio acima da expectativa dos analistas, que era de um superávit de US$ 3 bilhões.

Pode me explicar o que é isso? As transações correntes consideram o fluxo de bens e serviços entre os residentes do Brasil e o restante do mundo. Em meio à derrocada na economia com as medidas de isolamento para conter a disseminação de Covid-19, a saída de recursos tem caído fortemente.

Como assim? Em abril, houve recuo de 59,7% no déficit da renda primária (que acompanha o pagamento de salários, lucros e dividendos e reinvestimentos), a US$ 1,5 bilhão. A remessa de lucros e dividendos para o exterior foi de apenas US$ 4 milhões, contra US$ 2,2 bilhões de dólares registrados em abril do ano passado.

Já o déficit na conta de serviços (viagens internacionais, transportes etc.) caiu 63,4% sobre o mesmo mês do ano passado, a US$ 1,2 bilhão. O dado foi fortemente afetado pela retração de 91,2% nas despesas líquidas de viagens no exterior, que totalizaram US 90 milhões em abril deste ano contra US$ 1 bilhão em igual etapa do ano passado.

Na prática, os brasileiros têm gastado significativamente menos em viagens internacionais em razão das restrições para deslocamentos e da expressiva alta do dólar e do euro frente ao real.

O que explica, então, o superávit nas transações correntes? É que houve aumento no superávit da balança comercial.

No mês passado, o saldo das trocas comerciais ficou positivo em US$ 6,4 bilhões, frente a US$ 5,1 bilhões um ano antes. O saldo positivo é explicado pela queda mais pronunciada das importações do que nas exportações.

Como foi o ano, até aqui? De janeiro a abril, o déficit em transações correntes somou US$ 11,8 bilhões, recuo de 29,9% sobre igual período de 2019. Em 12 meses, o rombo caiu a 2,61% do Produto Interno Bruto (PIB).

Já o investimento direto no país foi de US$ 18 bilhões nos quatro primeiros meses do ano, alcançando 4,31% do PIB em 12 meses.

Como deve ser este mês? Para maio, o BC previu um superávit em transações correntes de US$ 3,1 bilhões e IDP de US$ 1,5 bilhão.

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