A antiga estratégia de bancos centrais de elevar as taxas de juros para proteger as moedas não tem funcionado em mercados emergentes desta vez.

Um indicador de moedas de países em desenvolvimento caiu para o nível mais baixo desde março de 2020 em relação ao rendimento médio de títulos locais. Isso sugere que investidores estão descontando o apelo de taxas de juros mais altas e agora se preocupam mais com a combinação tóxica de crescimento global mais lento e inflação mais acelerada.

Com a crise de oferta que aumenta os preços ao consumidor, bancos centrais de mercados emergentes têm pressa em minimizar o impacto com taxas de juros mais altas. Mas isso também poderia asfixiar a frágil recuperação da crise causada pela pandemia. Esse dilema repercutirá entre autoridades monetárias na Rússia, Indonésia, Turquia e Hungria em suas reuniões de política monetária esta semana.

“É um equilíbrio delicado entre limitar o impacto e não apertar demais quando a demanda global claramente ultrapassou o pico”, disse Witold Bahrke, estrategista macro sênior na Nordea Investment, em Copenhague. “Aumentar os juros em um ritmo ainda mais rápido arriscaria um golpe duplo para economias emergentes.”

Bancos centrais têm observado que aumentos dos juros por si só não atrairão investidores de volta quando o crescimento é um ponto de interrogação. O Real acumula queda de 4,2% frente ao dólar desde 22 de setembro, quando o Banco Central elevou a Selic. O zloty da Polônia se desvalorizou em relação ao euro e ao dólar depois do aumento dos juros em 6 de outubro. A coroa tcheca também é negociada em nível mais baixo desde que a taxa básica foi elevada em 30 de setembro.

Economias emergentes devem registrar crescimento combinado de 6,5% em 2021, recuperando-se da queda do PIB de 0,6% no ano passado. No entanto, isso reduziria sua liderança de crescimento em relação a economias desenvolvidas para 1,2 ponto percentual em comparação a 3,1 pontos percentuais no anterior. Alguns investidores veem essa diferença cada vez menor como um obstáculo à compra de ativos mais arriscados.

Países em desenvolvimento já haviam perdido sua vantagem em crescimento durante as restrições da Covid-19, pois forneceram pacotes de estímulo muito menores do que Estados Unidos ou Europa. Agora, juros mais altos poderiam prejudicar ainda mais a expansão econômica.

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