Mesmo quando a quarentena acabar, as pessoas não sairão por aí com máscara e sentindo-se super seguras. Haverá um período de recuperação da normalidade e da confiança para ir e vir.

É desse ir e vir que depende a ida às lojas para fazer compras e trocas. A Jogê, marca de lingerie e pijamas femininos, ampliou de 30 para 90 dias o prazo de troca nas compras feitas no site – já que as lojas estão fechadas.  “Não se trata apenas de acabar o isolamento social, mas de criar um ambiente para que as pessoas se sintam seguras”, diz Angela Fonseca, vice-presidente da companhia. “Sabemos que isso vai demorar um tempo considerável”.

O que diz o Código de Defesa do Consumidor? Nas compras feitas no e-commerce, a lei diz que o consumidor tem até sete dias para formalizar o pedido de devolução ou troca junto à empresa. As partes podem negociar entre si o prazo para postagem de devolução do produto, informa o Procon. A lei não determina o tempo específico para postagem, mas o padrão são 30 dias a partir da data de recebimento.

Isso é diferente das compras em loja físicas, quando a lei não determina obrigatoriedade de troca em casos de produtos sem defeito. Mas há uma convenção de as lojas autorizarem troca em até 30 dias desde que o cliente apresente o cupom fiscal.

E o que muda na Jogê? A partir da data de compra, a cliente tem até três meses para trocar os produtos ou fazer a devolução. Se quiser o estorno, precisa avisar em até 7 dias, e o pagamento será agendado quando a cliente confirmar que fez a devolução do produto – volta a valer o prazo de três meses para a postagem no Correio ou entrega nas lojas que tiverem sido reabertas.

Para Angela, não dá para pensar em obrigar o cliente a ir a uma agência de Correio em plena pandemia. O prazo de 90 dias considera uma melhora do quadro e a retomada de parte da segurança das clientes.

E tem facilidades para essa devolução? A empresa disponibilizou um número no WhatsApp e por lá auxilia os clientes dando direcionamentos e o passo a passo para a troca.

O que mais mudou na política de troca da Jogê? Há um tratamento diferenciado ao grupo de risco, como pessoas idosas ou em tratamento médico que afete a imunidade, e gestantes. “Nestes casos, onde temos lojas, o atendimento da troca é feita por uma estrutura local dos lojistas e a diferença de valores, caso haja, é feita através de pagamento por link seguro Cielo no Whatsapp e sem contato humano, o que traz segurança e agilidade ao processo”, conta a vice-presidente.

A Jogê defende a abertura de lojas? Não agora. “Nos posicionamos contrariamente a corrente de acelerar a abertura do varejo sem as devidas seguranças”, diz Angela. A empresa entende que a pandemia abalou a confiança das pessoas, e entre o fim da quarentena e a retomada da normalidade, as pessoas ficarão quietas, aguardando o que vai acontecer.

Como a pandemia afetou a estratégia da Jogê? A marca já flertava com levar as lojas dos shoppings para as ruas, e agora o movimento está mais assertivo.

Segundo Angela, os shoppings eram uma boa solução antes do e-commerce ganhar destaque no mercado. Mas a realidade mudou e os centros, que hoje entregam uma experiência de tecnologia e integração dos canais de compra, perderam relevância na estratégia da empresa.

Com isso, a Jogê intensificou os planos de abrir lojas de rua. “Optaremos por pontos em bairros, lojas menores, mais aconchegantes onde possamos conhecer nossos clientes de fato”.

Para a própria equipe também há um diferencial. A loja de bairro tem times menores e funciona menos horas que os shoppings: abre das 10h às 20h e aos sábados até às 18h. E não funciona domingo. “Claro que há fluxo de consumo em um domingo no shoppings, mas precisaremos repensar o tempo x a economia e até se precisamos trabalhar mais do que a proposta da loja de bairro”, questiona Angela.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).