Cada brinquedo, roupa ou produto que você vê no YouTube logo estará à venda online — não na Amazon ou em outro site de e-commerce, mas no próprio YouTube.

Recentemente, a plataforma começou a pedir aos criadores que usassem uma ferramenta para listar os produtos que aparecem em seus vídeos. Futuramente, os dados serão convertidos em um catálogo de itens que o usuário poderá clicar e comprar diretamente.

Segundo um porta-voz do YouTube, a empresa começou a testar o recurso em um número limitado de canais. Os criadores terão controle do que será ou não vendido.

O movimento pode transformar o YouTube de um gigante da publicidade em um novo concorrente para líderes de comércio eletrônico, como a Amazon e o Alibaba. Não está claro, no entanto, como a plataforma irá lucrar em cima das vendas.

O Google, dono do YouTube, já tentou entrar no comércio online várias vezes, com sucesso limitado. A empresa prefere, principalmente, vender anúncios que direcionam as pessoas para outras lojas digitais, em vez de ela mesma vender os produtos.

No entanto, a pandemia de coronavírus afetou os lucros com marketing da empresa, que perdeu dois grandes anunciantes: turismo e lojas físicas de varejo, ao passo que o e-commerce deu um salto gigantesco. Enquanto sofria sua primeira queda re receita, o Google assistiu rivais como o Facebook e seu aplicativo Instagram se tornavam focos de compras online.

Há meses, os executivos do Google sinalizam que o YouTube será peça fundamental em sua incipiente estratégia de comércio eletrônico. Recentemente, o diretor executivo da Alphabet, Sundar Pichai, sugeriu que a infinidade de vídeos de “recebidinhos” no YouTube poderia ser transformado em uma oportunidade de compra. A plataforma também está repleta de outras categorias rentáveis, como tutoriais de maquiagem e culinária, em que os criadores divulgam produtos comerciais no ar.

No final do ano passado, o YouTube começou a testar uma integração semelhante com o Shopify para criadores que podem listar até 12 itens à venda em um carrossel digital abaixo de seus vídeos, de acordo com a empresa. Merchandising é uma das várias estratégias que o YouTube está buscando para diversificar a receita para criadores além dos anúncios. No mínimo, as novas medidas podem ajudar o YouTube a aprofundar os dados que coleta de vídeos para fortalecer seu negócio de anúncios.

Amazon e Walmart têm mexido com vídeos compráveis ​​por vários anos. Até agora, nenhum varejista mostrou muito progresso. Na China, porém, esse modelo de negócios decolou. No Douyin, a versão chinesa do TikTok, os influenciadores usam vídeos ao vivo para vender produtos de batom a smartphones em tempo real para centenas de milhões de usuários.

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