O jogo Suspects: Mansão Mistério foi lançado há menos de um mês e já está entre os mais populares das lojas digitais Google Play Store e App Store. Ele segue o mesmo estilo “detetive” do grande sucesso Among Us, jogo mais baixado em smartphones de 2020. A grande diferença é que no Suspects os participantes podem interagir entre si em um chat de voz.

Afinal, por que e formato de jogo é tãpo popular? Carlos William Ferreira de Lima, professor do curso de Sistemas para Internet do Centro Universitário Senac, explica que o segredo está na mecânica simples e no poder de conexão social desse tipo de game.

Como funcionam esses jogos? Jogo de detetive não é uma coisa nova. A mecânica de descobrir o personagem assassino do grupo já era usada por outras gerações de crianças em jogos de tabuleiro ou até em brincadeiras de rua com os amigos do bairro. A diferença é que agora a diversão passou para as plataformas digitais.

“O grande ponto é que você pode brincar de matar sem matar e de acusar as pessoas sem ofender ninguém”, explica o professor.

Por que eles fazem mais sucesso na pandemia? Em um momento de tanta insegurança, já era esperado que o jogos atraíssem mais adeptos, já que são uma forma de se desconectar da realidade. Mas um aspecto que fortaleceu tanto o Suspects, quanto o Among Us foi a possibilidade de criar salas de jogos com amigos sem precisar de grandes recursos.

Jogos casuais, conhecidos por serem simples e rápidos de aprender, fazem sucesso pois possuem:

Mecânica fácil: para ter um bom desempenho nas partidas não é preciso muita prática.

Acessibilidade: podem ser jogados em qualquer plataforma.  Um smartphone já é o bastante, não é preciso ter um super computador ou o último lançamento dos consoles de videogame para jogar.

Preço baixo: são gratuitos para celular. No caso do Among Us, que possui também versão para PC, o preço ainda é relativamente baixo nessa categoria, dificilmente ultrapassando R$ 20.

Imitar um jogo de sucesso é uma boa ideia? No mundo dos games, essa é uma prática bastante comum e bem-sucedida. As empresas observam seus concorrentes e reproduzem principalmente os jogos que possuem mecânicas simples, com um bom retorno de satisfação para os jogadores.

O Candy Crush, por exemplo, que foi um sucesso entre 2013 e 2014 teve o seu formato explorado por diversos outros jogos. Gelatinas, frutas e até Pokémons foram usados no lugar das guloseimas que apareciam no jogo original.

A novidade do chat disponível no Suspects, mas não no Among Us, é um diferencial importante? “Poder conversar com os outros jogadores por mensagens de voz ou de texto foi o grande salto do Suspects em relação ao Among Us. Você pode jogar partidas colaborativas e estabelecer uma conexão muito maior com os amigos”, explica Carlos William Ferreira de Lima.

 As salas de conversa são seguras para as crianças? Não totalmente, pois qualquer sistema de segurança possui limitações.

A principal trava do jogo é a separação das salas entre crianças e adultos. As dedicadas aos mais velhos apresentam uma etapa de perguntas assim que o jogador se conecta. Elas abordam conhecimentos gerais muito específicos, dificultando o acesso das crianças.

Os mais antenados já estão conseguindo burlar esse mecanismo, mas existe ainda uma segunda trava, já utilizada por vários outros jogos: a possibilidade de banir um jogador.

 

Segundo Lima, a trava funciona por duas vias. Se uma criança que consegue burlar as perguntas, entra no jogo e começa a tumultuar a conversa ou a cometer erros na escrita, o grupo mais velho pode excluí-la da partida.

Já os mais jovens costumam repelir logo de cara a presença de adultos. Como exemplo, Lima cita uma experiência pessoal: “pouco tempo atrás, meu sobrinho de dez anos me pediu para jogar Fortnite com ele. Assim que falei no microfone, escutei um dos coleguinhas dele dizendo: “quem é esse velho!?”. Logo vi que estava sobrando ali e deixei as crianças se divertirem entre si”.

Se os jogos são gratuitos, qual é o retorno para os desenvolvedores? Os ganhos podem vir muito mais dos itens, como roupas e acessórios para os personagens, do que das versões pagas.

A InnerSloth, criadora do Among Us, tem apenas três jogos no portfólio e só resolveu lançar uma versão paga para PC depois de ganhar muita visibilidade em 2020, com o jogo lançado em 2018. “A linha do Among Us tem camisetas, canecas. Isso acaba sendo uma receita paralela que, no caso dessa empresa pequena, consegue pagar as contas”, diz Lima.

Já a Wildlife Studios atua no Brasil, na Argentina, Irlanda e China. É uma empresa consolidada, com muito mais jogos para dar sustentabilidade ao negócio. O Suspects é mais um entre eles, por isso, não tem uma pressão tão grande por retorno financeiro.

Até quando pode durar esse sucesso? Jogos casuais costumam ter um tempo de vida pequeno e ser substituídos assim que um novo lançamento chama a atenção do público. Por isso, o tempo de vida desses jogos depende da capacidade que eles têm de gerar atualizações interessantes. O período de sucesso varia entre dois e sete anos.

O chat do Suspects é uma vantagem nesse sentido. Os jogadores que estão conversando podem usar a imaginação para construir histórias com base no jogo e, assim, reavivar o interesse de tempos em tempos.

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