Por Marcelo Rochabrun e Marco Aquino

LIMA (Reuters) – O candidato socialista à Presidência do Peru, Pedro Castillo, mantinha uma vantagem minúscula sobre a rival Keiko Fujimori na manhã desta quinta-feira com 99,998% dos votos contados, e autoridades eleitorais se reuniram para analisar cédulas contestadas.

Castillo, um professor do ensino básico e novato político que conquistou um apoio popular amplo com suas promessas de reescrever a Constituição do segundo maior produtor mundial de cobre e redistribuir a riqueza, tinha 50,2% dos votos, mantendo uma dianteira de 0,4 ponto percentual sobre a política de direita Keiko, ou 71.441 votos.

Cerca de 300 mil cédulas contestadas estão sendo analisadas por um júri eleitoral, um processo que exigirá dias e poderia atrasar o anúncio sobre o presidente que assumirá o lugar do interino Francisco Sagasti no final de julho.

Mas analistas disseram que quaisquer votos ainda pendentes dificilmente alterarão a balança.

“É quase certo que Pedro Castillo será o próximo presidente”, opinou Eileen Gavin, principal analista de Mercados Globais e das Américas da consultoria de risco Verisk Maplecroft, sediada no Reino Unido.

Na noite de quarta-feira, Keiko, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, alegou que cerca de 500 mil votos são suspeitos, sem apresentar indícios substanciais. Ela questionou a probabilidade de tabelas de votos computarem 300 cédulas nas quais não recebeu nenhum voto.

“Achamos que é crucial que estas alegações sejam analisadas na contagem final”, disse ela, acrescentando que não está dizendo que as autoridades eleitorais são cúmplices de qualquer irregularidade.

O tribunal de ética do Júri Nacional de Eleições (JNE), o organismo encarregado de supervisionar a legalidade do processo eleitoral, disse em um comunicado publicado no Twitter na manhã desta quinta-feira que lançar dúvidas sobre os resultados sem indícios e convocar protestos, como os dois campos fazem desde a votação na noite de domingo, é “irresponsável”.

“Elas alimentam um clima de polarização social e enfraquecem os organismos eleitorais”, disse o comunicado.

Veronika Mendoza, candidata da centro-esquerda derrotada no primeiro turno da eleição presidencial realizado em abril que apoiou Castillo no segundo turno e emprestou vários conselheiros para sua campanha, disse a uma rádio local na manhã desta quinta-feira a respeito das alegações de Keiko: “Eles estão buscando criar caos e atacar a democracia”.

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