Por Stuart McDill

LONDRES (Reuters) – O que pianistas fariam se de repente tivessem dois polegares em uma mão? Será que seus cérebros se atrapalhariam ou o dedo extra adiciona uma nova dimensão ao seu desempenho?

O neurocientista Adlo Faisal e a equipe que ele comanda no Imperial College de Londres desenvolveram um dedão robótico para descobrir.

Uma hora depois de o dedo artificial ser montado junto ao dedo mínimo de sua mão direita, seis músicos já haviam aprendido a integrá-lo ao teclado por meio de sinais elétricos gerados quando movem o pé.

“Isso veio da minha paixão pelo piano, eu me perguntei ‘o que acontece se tiver um dedo extra?'”, disse Faisal, professor de Inteligência Artificial e Neurociência do Departamento de Bioengenharia e do Departamento de Computação da escola, à Reuters.

“Existe uma área específica do cérebro responsável por cada um dos dedos”, explicou ele.

“Então agora vem a pergunta, se eu der a você um décimo-primeiro dedo… você o processa da mesma maneira que processa um membro comum?”

Pesquisadores do Laboratório do Cérebro e do Comportamento comandado por Faisal descobriram que, independentemente de sua capacidade, os seis pianistas e seis outros voluntários que não tocam se adaptaram ao dedão rapidamente, o que leva a crer que não estamos limitados a usar um dedo adicional para tarefas com as quais estamos familiarizados.

“O fato de se conseguir tocar com onze dedos não é inteiramente trivial, e tem a ver com a maneira como o cérebro está configurado”, disse Faisal.

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