O chip “Lari Cel” lançado recentemente pela atriz Larissa Manoela vendeu mais de 2,5 mil unidades em apenas seis dias de operação. A inciativa vem na onda de vários outros lançamentos bem parecidos. Times de futebol, como Santos, Botafogo, São Paulo e Grêmio, além da varejista Pernambucanas, agora também possuem suas próprias operadoras de telefonia.

Todos esses lançamentos fazem parte da Dry Company, uma operadora virtual da Surf Telecom. A empresa surgiu em 2019 e utiliza a infraestrutura da TIM Brasil e da Oi para a oferta de serviços. Hoje, a Dry Company é líder no segmento do futebol, com 800 mil chips ativos em todo o país e 72 operadoras virtuais vinculadas a diversas marcas.

Como funcionam essas operadoras? Reinaldo Sakis, gerente de pesquisa e consultoria de consumer eevices da IDC Brasil, explica que esses são exemplos de MVNO, sigla em inglês para mobile virtual network operator. Basicamente, essas operadoras digitais compram o direito de utilizar parte da infraestrutura oferecida por operadoras físicas. “É um mecanismo de comprar linhas no atacado e vender no varejo”, diz Sakis.

Dessa forma, as MVNO não precisam se preocupar com instalação de torres de transmissão e antenas. Elas ficam responsáveis apenas por comercializar o serviço e atender aos clientes.

Esse serviço é seguro? Por serem apenas um intermédio entre as linhas de grandes empresas de telecomunicação e os clientes, os serviços oferecidos por operadoras digitais seguem as regras tradicionais e possuem aprovação da Agência Nacional de Telefonia (Anatel). Portanto, não há nenhuma diferença quanto a segurança dos clientes.

O que as marcas pretendem com iniciativas desse tipo? Na análise de Sakis, a estratégia de se vincular a marcas famosas é uma tentativa de fidelização do cliente, algo semelhante aos cartões de loja. “É muito mais de você ter um público cativo para a sua marca. A varejista vai saber que tem ‘meio milhão’ de usuários com o chip dela. Fica mais fácil mandar um e-mail, uma promoção, porque já existe um vínculo com esse cliente”, ele comenta.

As ofertas são boas? Segundo o especialista, por terem uma operação dependente das gigantes do setor de telefonia no país, essas novas iniciativas costumam ter dificuldade para superar os serviços já existentes no mercado.

“Pode ser que algumas marcas entrem nesse boom e se consolidem. Mas na história recente do Brasil, elas não duraram muito tempo. São poucos benefícios em relação ao usuário da operadora tradicional e o brasileiro acaba olhando o custo como um dos principais pontos. A questão da afinidade [com a marca] que por um tempo foi útil para você, depois de um ou dois anos pagando um pouquinho mais caro, começa a não parecer mais tão legal”, diz o especialista.

Outro ponto que pode acabar afastando alguns clientes é o fato das operadoras digitais não oferecerem planos pós-pagos.

Para quem vale a pena, então? Segundo Sakis, é uma questão de gostar da marca e querer apoiá-la já que, na prática, os ganhos não costumam ser muito grandes.

O público que pode ver algum benefício na adoção desses novos planos são os fãs de carteirinha. Afinal, o foco dessas inciativas é se diferenciar com bônus ligados à marca.

A Lari Cel de Larissa Manoela, por exemplo, terá benefícios atrelados ao universo da artista. Usuários da operadora que tiverem com a linha ativa e as recargas em dia, poderão concorrer a sorteios de viagens para Orlando, ligações de aniversário da própria Larissa Manoela, além de eventos e jantares com a atriz.

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