Por Stephanie van den Berg

HAIA (Reuters) – Juízes da Organização das Nações Unidas (ONU) apresentarão nesta quarta-feira um veredicto no último caso perante o tribunal de Haia que processa crimes de guerra decorrentes da desintegração sangrenta da Iugoslávia nas guerras dos Bálcãs nos anos 1990.

Eles emitirão o veredicto –ainda sujeito a uma apelação– e as penas no caso de dois ex-assessores do falecido presidente iugoslavo Slobodan Milosevic por seus papeis no conflito, no qual cerca de 200 mil pessoas morreram.

Jovica Stanisic, ex-chefe do serviço de segurança estatal da Sérvia, e seu subordinado Franko “Frenki” Simatojuivic foram entregues à corte em 2003 e absolvidos em 2013, mas juízes de apelação ordenaram um novo julgamento em 2015.

Procuradores pedem a pena máxima de prisão perpétua para Stanisic e Simatovic, que estão com pouco mais de 70 anos. Ambos se declararam “inocentes” de crimes como assassinato e perseguição.

Segundo os procuradores, os dois ajudaram a financiar, treinar e equipar milícias sérvias da Bósnia e da Croácia que realizaram campanhas brutais de “limpeza étnica” contra não-sérvios, deixando milhares de mortos e 340 mil pessoas expulsas de suas casas.

“Estes dois homens foram essenciais para fazer com que a guerra fosse travada como foi travada”, disse Iva Vukusic, historiadora da Universidade de Utrecht especializado em antigas unidades paramilitares iugoslavas.

“Os sérvios locais da Croácia e da Bósnia não teriam sido capazes de travar uma guerra durante uma semana se não fosse pelo apoio material sérvio supostamente facilitado por estes dois homens.”

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