Depois de tweets, memes e obras de arte virtuais movimentarem milhões de dólares em tokens não fungíveis (NFTs), chegou a vez dos games. A febre começou em 2017 com os CryptoKitties, gatinhos colecionáveis que chegaram a ser vendidos por US$ 173 mil. Agora, esse mercado está se consolidando com jogos bem mais elaborados e aportes de grandes desenvolvedores.

O que são esses jogos? Os games de NFT são softwares que funcionam dentro da rede blockchain. Eles permitem que jogadores adquiram criptoativos e, assim, gerem renda.

Os tokens disponíveis nesses games podem estar vinculados a uma série de artigos, como os próprios personagens, seus acessórios ou até mesmo terrenos virtuais. “O que a gente está vendo é, de fato, a união entre mercado financeiro e entretenimento. Você cria todo um universo dentro da rede”, aponta Rudá Pellini, cofundador do Wise&Trust.

O que já existe neste mercado? O primeiro jogo de criptoativos a ganhar popularidade foi o CryptoKitties, lançado em novembro de 2017. O game explodiu em número de jogadores no mês seguinte à estreia e chegou a congestionar a rede blockchain Ethereum.

Tão exponencial quanto a ascensão do CryptoKitties, foi sua queda. Hoje, mesmo com uma recente alta no uso da plataforma, o jogo continua bem longe dos números registrados durante o seu auge.

Clique no círculo amarelo para visualizar somente o histórico da plataforma CryptoKitties:

Três anos e meio se passaram e, agora, já existe uma série de jogos de NFT disponíveis online. Alien Worlds, Kolobok, R-Planet e Upland são apenas alguns dos mais comentados nas redes. Também há lançamentos bastante aguardados como os games Ember Sword e Mirandus, que seguem o modelo MMORPG.

“Hoje, a gente está vendo essas inovações acontecerem com mais escala. Isso é o que me chama a atenção: o crescimento desse tipo de iniciativa e o quão rápido isso se deu”, afirma Pellini.

Outro exemplo atual é o Axie Infinity, que possui criaturas em NFT semelhantes aos Pokémons. Os personagens podem lutar entre si e acumular pontos que os valorizam. No marketplace do game, os chamados Axies podem ser comercializados. O jogo gratuito ganhou destaque há algumas semanas, após o lançamento de um mini documentário que mostrou como moradores de uma comunidade rural nas Filipinas estão usando o game para geração renda.

Como os jogadores são remunerados? A opção mais acessível para obter criptoativos em jogos é a coleta de itens, seja uma pedra preciosa encontrada pelo caminho ou uma espada capturada durante uma luta.

Outra opção é a compra de ativos com a esperança de que eles valorizem. É possível adquirir uma Land, que corresponde a um terreno dentro do mapa do jogo, por exemplo. Ou ainda, comprar um item que outro jogador colocou à venda.

Aí é que está o ponto crucial dessa dinâmica. No final das contas, a posse de um NFT não garante lucro imediato. Para que um jogador ganhe criptomoedas, é preciso que outro esteja disposto a adquirir seu NFT.

Tudo depende do interesse do público? O especialista Rudá Pellini diz que para saber se algo veio para ficar, é preciso pensar em termos de utilidade. Ele lembra que o desafio de qualquer game é manter a aderência do público e cita o CryptoKitties que, sendo apenas um agregador de artigos colecionáveis, acabou perdendo grande parte do seu valor em poucos meses.

Com os lançamentos de agora, o cenário se torna bem mais interessante. Um exemplo bem mais elaborado será o Ember Sword, da Bright Star Studios. Suas primeiras Lands estarão disponíveis no dia 27, mas os desenvolvedores optaram por disponibilizar um mapa de cada vez, aguçando a curiosidade do público. Vários outros elementos devem surgir no futuro para que o jogo continue tendo apelo.

Jogos em NFT são para todo mundo? O especialista é categórico ao afirmar que não. Rudá Pellini traça um perfil ideal: “o público que deveria investir nisso é aquele que já entende muito sobre criptoativos, sobre finanças descentralizadas e quer de fato tomar um risco muito maior, apostando em uma coisa extremamente nova. É um venture capitalist que vai investir um dinheiro que pode perder”.

A dica para quem é mais conservador ou ainda não conhece muito sobre o assunto é a seguinte: divirta-se com a captura de itens nas opções gratuitas ou invista pouco dinheiro. “Assim, você paga o valor que acha razoável para aprender e não entende isso como um investimento”, recomenda Pellini.

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