A crescente popularidade do bitcoin não mudou um de seus atributos originais: a moeda digital ainda está concentrada nas mãos de poucos investidores.

Os 10.000 maiores investidores individuais de bitcoin controlam cerca de um terço da criptomoeda em circulação, segundo estudo do Escritório Nacional de Pesquisa Econômica (NBER, na sigla em inglês).

Defensores das criptomoedas há muito tempo se perguntam quem são os maiores proprietários de bitcoins. Pode ser especialmente difícil determinar a concentração de propriedade, já que muitos dos endereços com maior volume geralmente não representam indivíduos, mas sim bolsas e outras entidades que detêm bitcoins em nome de outros investidores.

No entanto, usando um método de coleta de dados que diferenciava endereços, pesquisadores do NBER conseguiram identificar que intermediários controlavam cerca de 5,5 milhões de bitcoins no final do ano passado, enquanto indivíduos detinham cerca de 8,5 milhões. Além disso, os 1.000 maiores investidores individuais controlavam cerca de 3 milhões, e a concentração poderia ser ainda maior.

“Essa medida de concentração provavelmente é um eufemismo, pois não podemos descartar que alguns dos maiores endereços são controlados pela mesma entidade”, escreveram os pesquisadores Igor Makarov e Antoinette Schoar.

Por exemplo, os dados não atribuíam a propriedade dos primeiros bitcoins relacionados a cerca de 20.000 endereços a uma pessoa (Satoshi Nakamoto) e os consideravam como pertencentes a 20.000 indivíduos diferentes.

A concentração entre mineradores é ainda maior, mostram os dados. O NBER descobriu que uma fatia de 10% de mineradores controla 90% da capacidade de mineração de bitcoin e apenas 0,1% (cerca de 50 mineradores) respondem por 50% da capacidade de mineração.

Uma concentração tão alta pode tornar a rede de bitcoins vulnerável a um ataque de 51%, em que um conjunto de mineradores ou um minerador é capaz de assumir o controle da maioria da rede. O NBER revelou que a concentração também diminui após fortes aumentos do preço do bitcoin, o que significa que a probabilidade de a rede ser vulnerável a um ataque de 51% é maior quando o preço da moeda cai muito.

“Nossos resultados sugerem que, apesar da atenção significativa que o bitcoin tem recebido nos últimos anos, o ecossistema do bitcoin ainda é dominado por grandes e concentrados players, sejam grandes mineradores, detentores de bitcoin ou bolsas”, escreveram os pesquisadores. “Essa concentração inerente torna o bitcoin suscetível ao risco sistêmico e também implica que a maioria dos ganhos com a adoção futura cairá desproporcionalmente para um pequeno conjunto de participantes.”

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