A indústria de chips nos Estados Unidos disse que até US$ 50 bilhões em incentivos federais serão necessários para travar uma tendência de décadas de mudança da indústria para o exterior, já que a China gasta pesadamente para se tornar líder como produtor de semicondutores.

O governo federal precisa empregar de US$ 20 bilhões a US$ 50 bilhões para tornar os EUA um local tão atraente para fábricas como Taiwan, China, Coreia do Sul, Singapura, Israel e partes da Europa, disse a Associação da Indústria de Semicondutores do país em estudo divulgado quarta-feira.

O fracasso em fazer isso ameaça a liderança dos EUA no setor como um todo, acrescentou.

O grupo, que representa empresas como Intel e Qualcomm, faz a apresentação em um momento em que acredita que Washington está mais aberto para ouvir. A guerra comercial China-EUA e as interrupções na cadeia de suprimentos causadas pela pandemia revelaram os riscos de ter esses componentes vitais fabricados no exterior.

“Seis meses atrás, não acho que poderíamos ter essa discussão, o mundo veio em nossa direção”, disse John Neuffer, CEO da Associação.

A indústria de semicondutores, de US$ 400 bilhões, é liderada por empresas americanas, mas muitos fabricantes de chips, como Nvidia e a Qualcomm, terceirizam a produção para fábricas principalmente na Ásia. A Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. domina essa parte do mercado e também fabrica chips projetados pela Apple e outros gigantes da tecnologia dos EUA.

As técnicas de produção, incluindo processos químicos e equipamentos de fabricação complexos, desempenham um papel vital na determinação do desempenho do chip. Os EUA precisam manter uma parte desse trabalho doméstico para que possam manter sua base de conhecimento e propriedade das habilidades, disse a Associação.

Enquanto a produção dos EUA diminui, o governo da China está despejando dinheiro em sua indústria doméstica de semicondutores, conferindo o mesmo tipo de prioridade ao esforço que dedicou à construção de sua capacidade atômica. Isso tornou a fabricação de chips uma questão de segurança nacional.

A Associação disse que as novas fábricas dos EUA construídas com apoio federal “trariam tecnologia de fabricação de ponta e capacidade suficiente para cobrir a demanda de semicondutores das indústrias de defesa e aeroespacial dos EUA”.

Apenas 6% da nova capacidade global em desenvolvimento estará localizada nos EUA. Em contraste, a China adicionará cerca de 40% da nova capacidade na próxima década e se tornará o maior local de fabricação de semicondutores do mundo, disse a Associação.

Instalar uma fábrica nos Estados Unidos custa cerca de 30% mais em uma década do que em locais semelhantes em Taiwan, Coreia do Sul e Singapura. A China pode ser até 50% mais barata, de acordo com o relatório.

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