A adaptação dos fabricantes à tecnologia 5G e a retomada da economia a partir do segundo semestre deverão fazer a receita com vendas de smartphones no Brasil totalizar R$ 74 bilhões neste ano, alta de 10%, segundo projeção da consultoria especializada em tecnologia IDC (International Data Corporation).

A avaliação é que a chegada da nova geração de rede de internet móvel, que trará mais velocidade, cobertura mais ampla e conexões mais estáveis, estimulará consumidores a investirem em aparelhos adaptados à nova tecnologia. Em número de unidades vendidas, a alta deve ser de 9%.

“A tecnologia 5G pode até demorar para chegar no Brasil, mas já está sendo adaptada a aparelhos intermediários premium, com especificações mais robustas”, aponta Renato Meireles, analista de pesquisa e consultoria da IDC.

Há outros dois fatores que devem estimular essa alta no consumo esperada para 2021: a retomada da economia e os novos entrantes desse mercado. “A expectativa é que no primeiro trimestre a atividade não irá bem, mas a partir do segundo semestre vemos uma retomada mais agressiva, com alta da expectativa do consumidor e da indústria”, aponta.

Em 2020, houve alta da receita e queda em unidades vendidas

Com a forte alta do dólar no ano passado, a receita do setor com smartphones cresceu impressionantes 19% na comparação com 2019, apesar de uma queda de 4% no número de unidades vendidas –essa é uma estimativa da IDC, que levou em conta uma tendência estabelecida até o terceiro trimestre para projetar o resultado do ano.

Além da valorização da moeda americana em relação ao real, que é de 30%, já outro fator importante que determinou esse cenário, segundo Meireles: em média, os aparelhos comprados foram mais caros do que no ano retrasado. “O mercado brasileiro já vem alcançando a maturidade. Já temos uma base instalada de 200 milhões de unidades de smartphones, ou seja, praticamente todo o brasileiro já tem um aparelho”.

O analista explica que o termo usado na indústria para definir o estágio atual do país é “mercado de substituição”. “As pessoas estão em busca de câmeras melhores, processadores mais rápidos, e a indústria vem oferecendo essas especificações. Mas o dólar alto é o principal fator para o tíquete médio ter subido”.

Tíquete médio aumentou apesar da pandemia

A procura por aparelhos celulares com mais funcionalidades ao longo do ano passado se refletiu principalmente na forte alta na participação dos chamados intermediários premium.

Os smartphones que custam até R$ 1.099 tiveram queda de 41% na sua participação de mercado em 2020; a faixa de preços entre R$ 1.100 e até R$ 1.899 observou alta de 190% na fatia de mercado e no caso dos aparelhos entre R$ 1.900 e R$ 2.500, houve uma disparada de 604% no market share.

Meireles conta que a pandemia teve um impacto forte nas vendas entre março e junho. “Houve uma derrubada, mas da mesma forma que caiu muito, teve uma alta muito rápida”, explica.

Quer tirar suas dúvidas sobre o Imposto de Renda de 2021? Mande sua pergunta por e-mail (faleconosco@6minutos.com.br), Telegram (t.me/seisminutos) ou WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).