Por Stephen Nellis e Joseph Menn

SÃO FRANCISCO, Estados Unidos (Reuters) – A Apple anunciou nesta segunda-feira que vai averiguar a biblioteca de fotos dos usuários de iPhones para detectar possíveis imagens de abuso infantil enviada para o iCloud.

Enquanto Google, Microsoft e outras platataformas de tecnologia checam imagens ou arquivos anexados em emails em relação a bancos de dados fornecidos pelo Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e contra Abuso Infantil, especialistas em segurança afirmam que o plano da Apple é mais invasivo.

Alguns afirmam que esperam agora que governos tentem forçar a Apple a ampliar o sistema de fiscalização para outros dispositivos e conteúdos.

A Apple afirmou que vai ficar contra tais pedidos de governos. “Enfrentamos antes exigências para criarmos e lançarmos mecanismos pedidos por governos que prejudicam a privacidade dos usuários e temos recusado tais demandas”, afirmou a Apple. “Vamos continuar recusando no futuro.”

Falando a jornalistas nesta segunda-feira, representantes da Apple afirmaram que o sistema da companhia, que será lançado junto com o sistema operacional iOS 15, vai fiscalizar arquivos atuais em um aparelho do usuário se ele tiver as imagens sincronizadas com os servidores do iCloud.

Julie Cordua, presidente-executiva da Thorn, grupo que desenvolveu tecnologia para ajudar autoridades a encontrarem crimes de tráfico sexual, afirmou que cerca de metade do conteúdo contendo abuso infantil é formatado como vídeo.

Segundo a Apple, o sistema não verifica vídeos antes deles serem enviados ao iCloud, mas a companhia tem planos de expandir a ferramenta no futuro.

Executivos da Apple disseram que a fiscalização nos aparelhos preserva a privacidade mais do que a execução de varreduras diretamente sobre o sistema de armazenagem do iCloud. Entre outras coisas, afirmara, a arquitetura do sistema não informa à Apple nada sobre o conteúdo do usuário a menos que um número limite de imagens for superado, o que então dispara uma fiscalização humana.

Os executivos da Apple reconheceram que o usuário dos dispositivos da empresa pode ser implicado por hackers que assumirem o controle do aparelho da vítima e remotamente instalarem conteúdo envolvendo abuso infantil. Mas eles afirmaram que tais ataques são muito raros e que em qualquer caso a fiscalização vai buscar por sinais de invasão criminosa.

(Por Joseph Menn e Stephen Nells)

((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447753))

REUTERS AAJ AAP

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