A Apple anunciou nesta quarta-feira (28) que abandonará sua prática padrão de armazenar arquivos de áudio gravados pela assistente pessoal Siri e permitirá que apenas seus próprios funcionários revisem o áudio coletado, em vez de terceirizados.

Com a decisão, a empresa deixará de guardar áudios para revisão humana e, em vez disso, permitirá que os usuários optem por revisar o áudio, se assim o desejarem. A empresa disse que ainda usará transcrições geradas por computador para melhorar o funcionamento de sua assistente pessoal.

A Apple disse que a pausa no programa permanecerá em vigor até que as alterações sejam realizadas, mas não deu uma data.

O que aconteceu? As mudanças ocorreram após a Apple interromper um programa de análise da Siri, no qual pessoas ouviam gravações de áudios de usuários para determinar se a assistente havia respondido adequadamente a pedidos para fazer coisas como ler mensagens não lidas ou compromissos futuros do calendário.

O que motivou essa decisão? A Apple suspendeu o programa após o jornal britânico The Guardian informar que os contratados que trabalhavam em nome da Apple ouviam regularmente informações confidenciais, vendas de drogas e casais fazendo sexo.

O aumento do escrutínio público e político das práticas de privacidade de dados forçou o aumento de transparência nas empresas do Vale do Silício, com o Google interrompendo análises de gravações de áudio de seu assistente de voz em todos os idiomas, após um vazamento de dados sobre os áudios na Holanda.

Você pode me dar um pouco mais de contexto? A Apple promoveu suas práticas de privacidade em um esforço para se distanciar das rivais e tomou medidas desde o lançamento da Siri em 2011 para limitar a coleta de dados. As gravações de áudios são excluídas após um período definido, os usuários são identificados por um número aleatório e dados como mensagens não lidas ou compromissos do calendário de um usuário não são enviados aos servidores da Apple.

Mas a Apple recorreu à revisão humana para melhorar o serviço, processo que pode reduzir pela metade as taxas de erro de reconhecimento de fala. A Apple diz que o número de gravações de áudio revisadas foi pequeno – menos de 0,2% do total -, mas os usuários não tinham como optar por não ter o áudio armazenado e revisado por humanos, exceto desligando a Siri por completo.

(com Reuters)

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