De ONGs a políticos, especialistas em meio-ambiente de todo o mundo tendem a repetir a mesma lista sobre como lidar com as mudanças climáticas. O jornalista Akshat Rathi reuniu para a Bloomberg os cinco princípios-chave. Confira abaixo:

Adaptação sem redução é inútil

Conforme as consequências das mudanças climáticas se tornam mais severas, a necessidade de gerenciamento e adaptação pode ofuscar o trabalho mais difícil: reduzir a emissão de poluentes. Mas, sem isso, os problemas climáticos continuarão piorando. Por isso, qualquer adaptação realizada agora deve ser acompanhada por esforços para atenuar o aquecimento global a longo prazo. Caso contrário, teremos que depositar nossa confiança exclusivamente em tecnologias de emissões negativas, mais caras e que demorarão a atingir uma quantidade significativa.

Quem não mede, não age

Os ambientalistas adotaram o mantra de gerenciamento com sucesso notável. Por exemplo, quando as empresas de petróleo divulgaram e assumiram a responsabilidade pela emissão de poluentes por seus clientes — mais de 80% das emissões totais da empresa –, acionistas e ativistas resolveram contabilizá-las, o que levou as petroleiras a traçar planos de emissões líquidas zero.

Buscar culpados atrasa o progresso

O acordo climático global foi assinado em 2015, não em 1995, devido a uma contínua discussão entre os países sobre quem deveria assumir a responsabilidade pelo corte de emissões. Estava claro que as economias ricas que chegaram onde estão com a energia dos combustíveis fósseis deveriam fazer mais. Mas quanto mais? Por fim, o Acordo Climático de Paris foi pautado por um conjunto de metas voluntárias de redução de emissões não vinculativas. Desde então, houve uma notável aceleração da ação climática.

Cada tonelada de dióxido de carbono despejada na atmosfera agrava a crise climática, independentemente de quem o tenha despejado lá. A justiça afirma que aqueles que emitiram mais devem pagar mais. Mas buscar uma forma de justiça às custas de tomar providências quanto a emissão de poluentes culminará em injustiças muito mais destrutivas no futuro.

Regulamentação de mercado

Alguns argumentam que a única maneira de combater as mudanças climáticas é desmontar o sistema capitalista e substituí-lo por outro. É uma ideia tentadora, mas a questão tem validade. Quanto mais demoramos para agir, pior será o cenário. Um caminho mais pragmático é controlar os excessos e usar de leis para moldar os mercados.

Buscar uma combinação de tecnologias aumentará as chances de sucesso

Muitos governos tendem a “cercear” tecnologias já maduras de energia limpa, atrapalhando o desenvolvimento de novas e melhores alternativas. Por exemplo, o uso de reatores de água leve em usinas nucleares dos EUA dificultou a adoção de outros tipos de reatores, como os da “Geração IV” ou os modulares, considerados muito mais seguros. Algo semelhante pode acontecer com baterias de íon de lítio que alimentam carros elétricos, perfeitamente substituíveis por fotovoltaicos de silício que geram energia solar ou eletrolisadores alcalinos que dividem a água em oxigênio e hidrogênio. Certamente o futuro reserva tecnologias superiores, mas elas precisam de um sistema que as ajuda a entrar no mercado.

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