Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) – O Vaticano rejeitou críticas de rabinos israelenses destacados a comentários do papa Francisco sobre os livros judaicos da lei sagrada, dizendo que ele não estava questionando a permanência de sua validade para os judeus da atualidade.

No mês passado, a Reuters noticiou que o rabino Rasson Arousi, presidente da Comissão do Rabinato-Chefe de Israel para o Diálogo com a Santa Sé, escreveu uma carta severa ao Vaticano na qual diz que os comentários de Francisco em uma audiência geral de 11 de agosto pareceram insinuar que a Torá, a lei judaica, está obsoleta.

A reação oficial do Vaticano, vista pela Reuters nesta sexta-feira, disse que os comentários do papa em uma homilia sobre os escritos de São Paulo não devem ser extrapolados de seu contexto de tempos antigos e que não se aplicam aos judeus do presente.

“A convicção cristã duradoura é que Jesus Cristo é o novo caminho da salvação. Entretanto, isto não significa que a Torá está diminuída ou não seja mais reconhecida como o ‘caminho da salvação’ para os judeus”, escreveu o cardeal Kurt Koch, cujo departamento no Vaticano é responsável pelas relações religiosas com os judeus.

“Em sua catequese, o Santo Padre não faz qualquer menção ao judaísmo moderno; o discurso é uma reflexão sobre a teologia (de São Paulo) dentro do contexto histórico de uma dada era”, escreveu Koch.

Na carta que enviou a Koch no mês passado, Arousi disse que os comentários do papa criam o risco da volta de uma “doutrina de desprezo” que prevaleceu na Igreja Católica até o século passado.

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