Por Sergio Perez e Michael Gore

MADRI (Reuters) – Sobreviventes de uma intoxicação alimentar em massa ocorrida quatro décadas atrás ocuparam o Museu do Prado de Madri durante algumas horas nesta terça-feira, ameaçando cometer suicídio se suas exigências de atenção e ajuda não forem atendidas.

Uma foto mostrou seis pessoas, uma delas cadeirante, segurando um cartaz diante de “Las Meninas”, quadro do pintor espanhol Diego Velázquez. Outras se reuniram do lado de fora.

A polícia deteve dois dos manifestantes e os outros deixaram o museu perto do meio-dia, disse a associação “Ainda Estamos Vivos”, que defende as vítimas, à Reuters.

Elas protestavam contra a “humilhação” e o “abandono” do governo, disse a associação em sua conta de Twitter.

“Seis horas depois do início de nossa presença aqui, começaremos a ingerir comprimidos”, havia alertado a associação, sem informar uma hora exata.

Entre as exigências do grupo estão um encontro com o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, e mediadores até o final de outubro e dinheiro para cobrir as despesas médicas das vítimas sobreviventes de um dos maiores escândalos de intoxicação do mundo.

A intoxicação matou 5 mil pessoas e afetou outras 20 mil, a maioria vivendo com problemas incuráveis, disse o grupo.

Nem o governo espanhol, nem o Prado comentaram de imediato. Os manifestantes disseram ter escolhido o museu porque a cultura ajudou as vítimas a lidarem com o drama.

A substância que causou a intoxicação em massa foi originalmente produzida para uso industrial, mas foi adulterado e ilegalmente vendida como azeite de oliva, principalmente em mercados de rua, inicialmente em Madri, mas depois em outras regiões.

Os sintomas da intoxicação vão de falência dos pulmões, deformações no membro e a destruição do sistema imunológico das vítimas. Muitos sobreviventes ficaram com sequelas pelo resto da vida.

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