Por Catarina Demony e Sergio Goncalves

LISBOA (Reuters) – O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, convocou nesta quinta-feira uma eleição geral antecipada para 30 de janeiro, após o Parlamento descartar o Orçamento proposto pelo governo socialista de minoria, encerrando seis anos de relativa estabilidade política. 

“Em momentos assim, há sempre uma solução na democracia, sem drama ou temores… para dar voz de volta ao povo”, disse o mandatário em um pronunciamento televisionado. 

A maioria dos portugueses parece acreditar que uma eleição antes do previsto, mesmo se necessária, irá apenas perpetuar o impasse político, trazendo mais dificuldades. 

Uma pesquisa de opinião da Aximage publicada mais cedo nesta quinta-feira mostrou que 54% das 803 pessoas consultadas acha que a eleição antecipada seria “ruim para o país”, com 68% dizendo que nenhum partido conseguiria conquistar a maioria das vagas do Parlamento. 

O Conselho de Estado, órgão consultivo do presidente, aprovou na quarta-feira a proposta de Rebelo de Sousa de dissolver o Parlamento após a rejeição do Orçamento. 

“Mais ou menos, estávamos bem estáveis, especialmente se considerarmos a situação da pandemia”, disse o aposentado Leonel Pereira, de 66 anos, à Reuters. “Se eles continuassem assim um pouco mais… seria bom para nós”. 

Marta Amaral, de 51 anos, de Lisboa, chamou a eleição de “mal necessário”. “Não será bom, mas não há outra maneira para sair”, disse. 

(Reportagem de Catarina Demony e Sergio Goncalves; Reportagem adicional de Andrei Khalip)

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