Por Marco Aquino

LIMA (Reuters) – O partido governista marxista Peru Livre, que se choca com o presidente Pedro Castillo na formulação de políticas, disse nesta segunda-feira que, apesar disso, apoia o líder de centro-esquerda contra o que classificou como o “golpe” de uma votação de impeachment liderada por partidos de oposição de direita.

O Congresso fragmentado do país andino planeja votar nesta semana para decidir se inicia ou não um julgamento de impeachment de Castillo, que tomou posse no final de julho. Seriam necessários 52 votos dos 130 parlamentares para avançar e um patamar mais elevado de 87 votos para afastar o presidente do cargo.

“O Peru Livre rejeita vigorosamente a moção de desocupação presidencial, defendida e liderada pelos setores fascistas do país”, disse o partido, que tem 27 assentos no Congresso, em um comunicado, um grande impulso para as chances de sobrevivência de Castillo.

“O Peru Livre reconhece que tem desentendimentos graves com o governo ‘caviar’ de Pedro Castillo, mas isto não justifica ser um participante de um golpe contra a democracia, ainda que ela tenha defeitos questionáveis.”

Dirigentes do partido marxista haviam dito anteriormente que estudariam a questão. O relacionamento de Castillo com sua sigla esfriou em outubro, quando o partido disse que ele guinou para o “centro-direitismo” depois de acrescentar elementos da esquerda moderada ao seu gabinete.

O Peru teve cinco presidentes desde 2016. Em 2018, Pedro Pablo Kuczynski renunciou minutos antes de uma votação de impeachment que perderia com certeza e Martín Vizcarra foi afastado depois de dois impeachments no ano passado.

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