Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO (Reuters) – O papa Francisco afirmou neste sábado que reconhece que algumas pessoas, incluindo dentro da Igreja, o consideram uma “praga” por defender os pobres e mais vulneráveis, mas que isso não o impedirá de fazê-lo porque faz parte do cristianismo.

“Pensando nessas situações (de exclusão e desigualdade), eu me torno uma praga com as minhas questões. E continuo questionando. E questiono todos, em nome de Deus”, disse Francisco, o primeiro papa latino-americano.

Ele pediu que empresas farmacêuticas liberem patentes para tornar as vacinas contra Covid-19 mais disponíveis aos pobres, citando que apenas 3% a 4% da população em alguns países foi vacinada.

Francisco, 84, falou por ligação de vídeo com o Encontro Mundial de Movimentos Populares, um grupo de organizações de base e movimentos sociais contra a desigualdade no trabalho, posse de terras e outras questões sociais no mundo em desenvolvimento.

Ele pediu que indústrias, como as de mineração e madeira, “parem de destruir florestas, terras úmidas e montanhas, parem de poluir rios e mares e parem de envenenar alimentos e pessoas”.

Francisco afirmou que países riscos e instituições financeiras deveriam cancelar a dívida das nações mais pobres. Fabricantes de armas deveriam parar de contribuir “para horríveis jogos geopolíticos que custam milhões de vidas e deslocamentos”.

Gigantes da tecnologia deveriam parar de permitir discursos de ódio, notícias falsas, teorias da conspiração e manipulação política, disse, e pediu que haja renda básica universal e que os países considerem diminuir o dia de trabalho para que mais pessoas tenham empregos.

“O sistema, implacável na lógica do lucro, está escapando do controle humano. É hora de desacelerar a locomotiva, uma locomotiva desgovernada que está se arremessando em direção ao abismo. Ainda há tempo”, disse. “E, portanto, eu continuo importunando.”

Ele se referiu às críticas que recebeu no passado, especialmente de conservadores da igreja dos EUA, quando fez apelos similares.

“Fico triste que alguns membros da Igreja se incomodem quando mencionamos essas orientações que pertencem à tradição completa da Igreja”, disse, se referindo a um compêndio de ensino social católico emitido pelo papa João Paulo II em 2004.

“O papa não pode parar de mencionar esse ensinamento, mesmo se muitas vezes incomodar as pessoas, porque o que está em jogo não é o papa, mas o Evangelho”, afirmou.

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