Por John O’Donnell e Tom Sims

BAD MUENSTEREIFEL, Alemanha (Reuters) – A transformação de Bad Muenstereifel de pitoresca, mas sonolenta cidade turística alemã em um shopping center outlet, colocou-a no mapa para milhões de visitantes.

Mas então vieram as inundações que devastaram suas ruas medievais e edificações, destacando a vulnerabilidade da principal economia da Europa a um clima cada vez mais imprevisível.

Além da cidade, a inundação se estendeu desde uma área próxima à cidade de Colônia, no oeste, até o sul da Baviera, atingindo os centros históricos de Aachen e Trier e deixando um rastro de destruição atrás de si.

Nos últimos anos, enchentes pesadas atingiram outras partes da Alemanha, transbordando as margens dos rios que desempenharam um papel tão importante em sua prosperidade.

Essas inundações causaram dezenas de bilhões de euros em danos –um golpe econômico muito maior do que qualquer um dos vizinhos da Alemanha sofreu com as inundações, de acordo com um estudo da Swiss Re, que faz seguros.

Em Bad Muenstereifel, o foco estava nos danos imediatos. Enquanto dezenas de soldados passavam por baldes de laranja com detritos e lama, Marita Hochguertel relembrou a reforma da cidade depois de 2014, quando um investidor trouxe dezenas de outlets para preencher as vitrines vazias.

Os visitantes mais do que dobraram para 2,5 milhões por ano, desencadeando um boom de renovação, disse Hochguertel, que trabalhou para o governo da cidade por 42 anos.

“Isso trouxe vida à cidade”, disse ela do lado de fora do prédio do conselho enquanto equipes lamacentas trabalhavam com escavadeiras para limpar os escombros, desde cadeiras quebradas até as pernas perdidas de manequins.

As pilhas de lixo cresciam com o passar do dia. O cheiro de bombas d’água movidas a diesel e poeira poluíam o ar.

As imagens chocaram a Alemanha, gerando um debate antes das eleições nacionais que podem afetar o poder dos democratas-cristãos da chanceler Angela Merkel e fortalecer o Partido Verde.

Grande parte da indústria alemã, incluindo a gigante dos metais Thyssen Krupp e as gigantes da química Bayer e Basf, se desenvolveu em centros próximos a hidrovias como o Reno –que também foi afetado pelas inundações recentes.

A rede de rios e canais continua a ser a mais extensa da Europa e é usada para movimentar cerca de 200 milhões de toneladas de carga por ano, de grãos a carvão e petróleo. Mas está rapidamente se tornando uma ameaça.

Essa foi a terceira grande enchente a atingir a Alemanha desde a virada do século.

Em 2002, o rio Elba inundou, afetando Dresden e outras cidades. Em 2013, as inundações atingiram fortemente a Baviera ao longo dos rios Danúbio e Inn.

Anders Levermann, que aconselhou o governo alemão sobre o clima, disse temer que as enchentes possam afetar a economia e a ordem política se se tornarem eventos muito mais comuns.

“O que acontecerá se os extremos climáticos se tornarem tão frequentes que não tenhamos tempo para nos recuperar no meio?” ele disse. O papel da Alemanha como exportador significa que as cadeias de abastecimento em todo o mundo também podem estar em risco, acrescentou Levermann.

((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447702)) REUTERS AC

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