GENEBRA (Reuters) – Ao menos mil pessoas, a maioria de origem étnica de Tigré, foram detidas em cidades de toda a Etiópia na última semana, disse a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira.

A Etiópia declarou um estado de emergência no dia 2 de novembro, um ano depois da irrupção do conflito entre o governo federal e forças alinhadas à Frente de Libertação do Povo Tigré, o partido político que controla Tigré, uma região do norte do país.

A declaração, que é valida por seis meses, permite que suspeitos sejam detidos sem julgamento enquanto o estado de emergência durar e também a realização de buscas domiciliares sem mandado.

“Acredita-se que ao menos mil indivíduos foram detidos aproximadamente na última semana, e alguns relatos colocam a cifra muito acima disso”, disse a Alta Comissária de Direitos Humanos das Nações Unidas em um comunicado nesta terça-feira.

“Estes desdobramentos são ainda mais perturbadores porque, segundo relatos, a maioria destes detidos são pessoas originárias de Tigré.”

O porta-voz do governo, Legesse Tulu, não respondeu de imediato a um pedido de comentário. A polícia já havia dito que as prisões não têm motivação étnica, mas que visam deter apoiadores da Frente de Libertação.

Os centros de detenção têm condições ruins e são superlotados, e muitos dos detentos não foram informados da razão de sua detenção, disse a ONU.

Funcionários da ONU também foram detidos. Após a prisão de 16 deles na semana passada, dez ainda estavam detidos, disse a organização. Além disso, 34 dos 72 prestadores de serviços presos na semana passada continuam detidos.

(Por Emma Thomasson)

((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447702)) REUTERS AC

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