Por Richard Lough e Ingrid Melander

PARIS (Reuters) – O presidente francês, Emmanuel Macron, disse ao Reino Unido nesta sexta-feira que o país precisa “falar sério” ou continuar fora dos debates sobre como conter o fluxo de imigrantes fugindo da guerra e da pobreza pelo Canal da Mancha.

Macron respondia a uma carta do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, na qual este delineou medidas que disse que impedirão que os imigrantes empreendam a jornada perigosa pelo mar que separa os dois países.

Johnson, que disse anteriormente que a França tinha culpa, insistiu na carta que a vizinha concorde com patrulhas conjuntas em suas praias e que consinta em receber de volta os imigrantes que chegam ao Reino Unido.

Furioso com a carta, e não menos com o fato de que Johnson a publicou no Twitter, o governo francês cancelou um convite para a secretária do Interior britânica, Priti Patel, participar de uma reunião no domingo em Calais.

A reunião com autoridades de Alemanha, Holanda, Bélgica e Comissão Europeia acontecerá mesmo assim, disse Macron.

“Os ministros (da União Europeia) trabalharão seriamente para resolver questões sérias com pessoas sérias”, disse Macron em uma coletiva de imprensa em Roma. “Então veremos como seguir adiante eficientemente com os britânicos, se eles decidirem falar sério”, acrescentou.

A crise crescente entre o Reino Unido e a França, e entre seus líderes, acontece somente dias depois de 27 imigrantes morrerem tentando atravessar a rota marítima estreita entre os dois países, a pior tragédia já registrada em um dos canais de transporte mais movimentados do mundo.

(Por Benoit Van Overstraeten, Ingrid Melander, Sudip Kar-Gupta, Richard Lough)

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