Por Donny Kwok e Sara Cheng e Marius Zaharia

HONG KONG (Reuters) – A polícia de Hong Kong prendeu cinco pessoas nesta quinta-feira, acusadas de sedição, dizendo que os livros infantis que haviam publicado, com lobos e ovelhas como personagens, visam incitar o ódio ao governo da cidade entre os mais jovens.

As prisões são as mais recentes de supostos críticos do governo de Hong Kong e que têm gerado o temor de que o espaço para dissidência esteja cada vez menor desde que Pequim impôs uma lei de segurança nacional em junho de 2020 para encerrar protestos pró-democracia na cidade semiautônoma.

A polícia disse que um dos livros, “Defensores da Vila das Ovelhas”, tinha relação com os protestos. Na história, lobos querem ocupar a vila e comer as ovelhas, que revidam usando seus chifres.

Os presos são membros de um sindicato de fonoaudiólogos que produzem livros para crianças. A polícia afirmou que foram dois homens e três mulheres, entre 25 e 28 anos. Eles não foram identificados pelo nome.

Os cinco foram presos sob suspeita de conspiração para publicar material sedicioso sob uma lei da era colonial que raramente era usada antes do início dos protestos contra o governo na ex-colônia britânica.

O superintendente sênior da polícia, Steve Li, afirmou em uma entrevista coletiva que a polícia estava preocupada com o livro por causa das informações para crianças que “reviram seus cérebros e desenvolvem um padrão moral de ser contra a sociedade”.

As autoridades negam qualquer erosão de direitos e liberdades em Hong Kong –que retornou à China em 1997 dentro de uma fórmula “um país, dois sistemas” que busca preservar suas liberdades e o seu papel como polo financeiro–, mas dizem que a segurança nacional da China é uma linha que não pode ser ultrapassada.

Autoridades de segurança afirmam que ações policiais são baseadas em evidências e não têm nada a ver com a posição política, passado ou profissão dos indivíduos.

(Por Donny Kwok, Sara Cheng e Marius Zaharia)

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