CONACRI (Reuters) – Os novos governantes militares da Guiné iniciaram nesta terça-feira consultas com líderes políticos, religiosos e empresariais que disseram que levarão à formação de um governo de transição na esteira do golpe de Estado que depôs o presidente Alpha Condé no dia 5 de setembro.

Em um breve discurso, o coronel Mamady Doumbouya, comandante das forças especiais e ex-membro da Legião Estrangeira Francesa que liderou o golpe, pediu aos presentes que “não cometam os erros do passado” quando criarem um novo sistema de governança.

Doumbouya e os outros militares por trás do golpe disseram ter deposto Condé por causa de preocupações a respeito da pobreza e da corrupção. Condé cumpria seu terceiro mandato depois de ter alterado a Constituição para que isso fosse possível.

Os líderes do golpe dizem que o diálogo desta semana, que começou com uma reunião com os chefes dos principais partidos políticos nesta terça-feira, delineará a estrutura de um governo de união nacional prometido e reinstaurará a ordem constitucional no país de 13,5 milhões de habitantes.

Mas sua tomada de poder foi amplamente criticada pelos aliados da Guiné e por organizações regionais. A Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental (Ecowas) suspendeu a Guiné de seus organismos decisórios e pediu uma transição curta liderada por civis.

Terceiro golpe na África Ocidental e Central desde abril, o movimento intensificou temores de um retrocesso a governos militares em uma região rica em recursos, mas na qual muitos povos vivem na pobreza.

(Por Saliou Samb)

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