Por Caroline Pailliez e Clotaire Achi

TREMBLAY-EN-FRANCE, França (Reuters) – De dentro do seu apartamento de um quarto perto do aeroporto de Paris, Jerome Rodrigues tem tentado revigorar o movimento dos coletes amarelos, que dois anos atrás desafiou o presidente Emmanuel Macron com enormes protestos de ruas, antes de perder força.

Agora, a irritação do público com medidas para conter a disseminação da Covid-19, que, segundo algumas pessoas, são um ataque às suas liberdades, deram a Rodrigues e seu movimento um ímpeto renovado.

Semana passada, a polícia estima que 100.000 pessoas se reuniram para protestos contra as medidas — algumas delas sob a bandeira dos coletes amarelos. Outra rodada de protestos está planejada para este fim de semana.

Um relatório interno do Ministério do Interior, visto pela Reuters, descreveu os protestos da semana passada como “excepcionais em escala”, alertou que mais grandes manifestações são prováveis e disse que algumas autoridades associadas às medidas contra a Covid-19 do governo precisam ter vigilância extra em relação à sua segurança.

Rodrigues, uma das figuras mais conhecidas do movimento e que perdeu um olho ao ser atingido por um projétil durante um protesto dois anos atrás, afirmou que as últimas manifestações atraíram pessoas além dos habituais fiéis dos coletes amarelos.

“Eu vi muitas pessoas protestando pela primeira vez”, disse Rodrigues, que usa uma prótese ocular, em seu apartamento. “Funcionários da saúde, donos de restaurantes, todos os tipos de pessoa, crianças”, afirmou.

“Se tem uma coisa que une as pessoas hoje em dia é a raiva”.

O governo Macron enviou leis ao Parlamento que impedirão as pessoas de entrar em restaurantes e bares sem um “passe de saúde” mostrando que foram vacinadas, tiveram um teste negativo ou têm imunidade contra a Covid-19 por uma infecção prévia. Os adversários dizem que o Estado está, na prática, forçando as pessoas a serem vacinadas.

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