Por Gibran Naiyyar Peshimam

CABUL (Reuters) – Uma grande explosão devastou uma mesquita xiita de Candahar, cidade do sul afegão, durante as preces desta sexta-feira, matando ao menos 33 pessoas e ferindo 73, disseram autoridades, o segundo ataque em massa em uma semana visando adoradores da seita minoritária.

Um repórter local em Candahar disse à Reuters que testemunhas haviam descrito três homens-bomba, um se explodiu na entrada da mesquita e outros dois detonaram seus artefatos dentro do local.

“A situação está muito ruim. O hospital de Mirwais está enviando mensagens e pedindo aos jovens que doem sangue”, disse ele, referindo-se a um hospital local para onde mortos e feridos foram levados.

Fotos e imagens de celular publicadas por jornalistas em redes sociais mostram muitas pessoas aparentemente mortas ou gravemente feridas no chão ensanguentado da mesquita Imã Bargah.

Uma autoridade de saúde contabilizou 33 mortos e 73 feridos e disse que o número final provavelmente aumentará. Ninguém assumiu a responsabilidade de imediato. O porta-voz do Ministério do Interior do Taliban, Qari Saeed Khosti, disse que as autoridades estão coletando detalhes.

A explosão ocorreu dias depois de um ataque de um homem-bomba do Estado Islâmico em uma mesquita xiita em Kunduz, uma cidade do norte, que deixou dezenas de mortos. O número total de mortos desse ataque está estimado em 80.

Forças especiais do Taliban chegaram para proteger o local, e circulou um apelo para que os moradores doem sangue para os feridos.

Ocorrido pouco depois do ataque em Kunduz, a explosão sublinha a segurança cada vez mais incerta no Afeganistão enquanto o Taliban enfrenta uma crise econômica e humanitária crescente que sujeita milhões ao risco da fome.

A filiada local do Estado Islâmico, conhecida como Estado Islâmico Khorasan por causa do nome antigo da região que inclui o Afeganistão, intensifica seus ataques desde a vitória do Taliban sobre o governo de apoio ocidental em Cabul em agosto.

Autoridades do Taliban minimizam a ameaça do Estado Islâmico, e rejeitam sugestões de que eles podem aceitar a ajuda dos EUA para lutar contra o grupo. Mas os ataques repetidos põem em xeque sua afirmação de ter levado a paz ao Afeganistão após quatro décadas de guerra.

O fato de a minoria xiita voltar a ser atacada também pode inflamar as tensões entre grupos étnicos e sectários diferentes no país majoritariamente sunita.

(Reportagem adicional de Jibran Ahmad e da redação de Islamabad)

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