Por Stephanie Nebehay

GENEBRA (Reuters) – Os mais vulneráveis da Coreia do Norte correm risco de passar fome desde que o país se isolou ainda mais durante a pandemia de Covid-19, e as sanções impostas pela Organização das Nações Unidas (ONU) em reação aos seus programas nuclear e de mísseis deveriam ser aliviadas, disse um investigador de direitos humanos da entidade em um relatório visto pela Reuters.

O agravamento da situação humanitária pode se transformar em uma crise e está coincidindo com uma “apatia insidiosa” global a respeito do sofrimento do povo norte-coreano, disse Tomas Ojea Quintana, relator especial de direitos humanos da ONU para a República Popular Democrática da Coreia.

“As sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU deveriam ser revistas e aliviadas quando necessário, tanto para facilitar a assistência humanitária e salvadora de vidas quanto para possibilitar a defesa do direito a um padrão de vida adequado dos cidadãos comuns”, disse ele em um relatório final a ser apresentado à Assembleia-Geral da ONU no dia 22 de outubro.

A Coreia do Norte não reconhece a autoridade de Ojea Quintana nem coopera com ele, e a representação do país em Genebra não respondeu de imediato a um pedido de comentário. Já o governo de Pyongyang não aceita perguntas da mídia estrangeira.

Em julho, o líder norte-coreano, Kim Jong Un, disse que a situação alimentar estava “tensa” por causa de desastres naturais do ano passado e admitiu que os cidadãos enfrentaram sacrifícios durante a pandemia. Em abril, autoridades norte-coreanas classificaram um relatório da ONU sobre desnutrição infantil no país de “mentira absoluta”.

A Coreia do Norte não relatou nenhum caso de Covid-19, mas impõe medidas antivírus rigorosas, incluindo fechamento de fronteiras e restrições a viagens domésticas.

Mas muitos norte-coreanos que dependem de atividades comerciais ao longo da fronteira com a China perderam suas fontes de renda, o que foi agravado pelo impacto das sanções, disse Ojea Quintana.

“O acesso das pessoas à comida é uma preocupação séria, e as crianças e os idosos mais vulneráveis correm risco de passar fome”, disse ele, acrescentando que os norte-coreanos “não deveriam ter que escolher entre o medo da fome e o medo da Covid-19”.

“Remédios e suprimentos medicinais essenciais estão escassos, os preços aumentaram várias vezes à medida que pararam de chegar da China e organizações humanitárias não têm conseguido levar remédios e outros suprimentos”, disse.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).