Por Belén Carreño

MADRI (Reuters) – O líder de protestos cubano Yunior Garcia e sua esposa aterrissaram no aeroporto de Barajas, em Madri, na tarde desta quarta-feira, disse o dissidente nas redes sociais, pondo fim à incerteza sobre seu paradeiro.

O jovem dramaturgo pegou um voo comercial para a Espanha depois que o governo comunista bloqueou um grande protesto que ele ajudou a planejar para segunda-feira. Ele ficou em silêncio logo depois nas redes sociais, gerando preocupações entre outros ativistas sobre sua segurança.

“Chegamos à Espanha, vivos, saudáveis ​​e com nossas ideias intactas”, disse Garcia em uma postagem no Facebook. “Precisamos agradecer a muitas pessoas que tornaram esta viagem possível.”

Segundo fontes familiarizadas com a viagem, o governo da Espanha concedeu a Garcia um visto de 90 dias por “motivos de força maior ou necessidade”. Fontes do governo haviam dito anteriormente que ele tinha entrado com visto de turista.

Garcia afirmou nas redes sociais que buscava informações sobre outros membros de seu grupo de protesto Arquipélago.

“Muito em breve contarei a história desta odisseia”, disse ele.

O governo de Cuba, em noticiários e programas nas redes sociais e estatais nas semanas anteriores ao protesto planejado de segunda-feira, disse ter evidências de que Garcia estava trabalhando secretamente com os Estados Unidos para derrubar o Estado.

Garcia e o governo dos EUA negaram a acusação.

A segurança do Estado e apoiadores do governo cubano cercaram no domingo a casa de Garcia em Havana, impedindo-o de protestar sozinho, enquanto ele planejava aumentar o apoio para manifestações pacíficas.

Garcia se tornou uma figura central no movimento dissidente de Cuba após atos em julho que levaram milhares às ruas para protestar contra a escassez de produtos básicos, restrições às liberdades civis e o controle da pandemia do coronavírus.

(Reportagem de Belén Carreño em Madri, Nelson Acosta e Marc Frank em Havana)

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