Por Sergio Goncalves

LISBOA (Reuters) – O governo socialista de Portugal pode estar à beira do colapso depois de seis anos comandando com uma minoria, já que seus ex-aliados de extrema-esquerda ameaçam votar contra o orçamento de 2022 no final desta semana.

O presidente Marcelo Rebelo de Sousa apelou nesta segunda-feira para o “senso comum”, alertando que, sem um orçamento, que depende muito dos fundos de recuperação da pandemia da União Europeia, “não haverá alternativa para a dissolução imediata do Parlamento” e eleições dois anos antes do cronograma.

Os socialistas do primeiro-ministro António Costa têm 108 das 230 cadeiras do Parlamento e precisam que ao menos outros nove parlamentares se abstenham durante a primeira votação na quarta-feira.

Negociatas e ultimatos de última hora não impediram a aprovação de orçamentos anteriores dos socialistas, mas alguns analistas alertam que o espaço de manobra diminui.

O líder comunista Jerônimo de Sousa disse que seus dez parlamentares votarão contra, avisando que seus correligionários não temem batalhas eleitorais.

“Fomos ao nosso limite nas negociações de meses de duração, e só um passe de mágica mudaria nosso voto contra o orçamento”, disse ele aos repórteres.

A líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, disse que continua aberta a negociar até quarta-feira, mas que o partido, que tem 19 assentos, votará contra o orçamento a menos que o governo aceite algumas de suas propostas.

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