Por John Revill e Steve Holland

ZURIQUE/WASHINGTON (Reuters) – Os Estados Unidos e a China concordaram em princípio que seus presidentes realizem uma reunião virtual antes do final do ano, disse uma autoridade norte-americana de primeiro escalão na quarta-feira, depois de conversas de alto nível concebidas para melhorar a comunicação entre as duas grandes potências.

A reunião a portas fechadas no hotel de um aeroporto da cidade suíça de Zurique entre o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, e o principal diplomata da China, Yang Jiechi, foi o primeiro encontro presencial dos dois desde uma manifestação atipicamente pública e áspera de queixas no Alasca em março.

Os dois lados haviam descrito o encontro como uma continuação do telefonema do presidente norte-americano, Joe Biden, com o presidente chinês, Xi Jinping, no início de setembro, antes do qual as duas maiores economias do mundo pareciam presas em um impasse.

A Casa Branca disse que Sullivan expressou preocupações a respeito de temas polêmicos, como as ações de Pequim no Mar do Sul da China, os direitos humanos e a postura chinesa em relação a Hong Kong, Xinjiang e Taiwan.

Mas tanto Pequim quanto Washington disseram que as conversas, que duraram seis horas, foram construtivas e francas, e os EUA disseram que o tom foi muito diferente daquele do Alasca.

“Tivemos após a conversa de hoje um acordo em princípio para realizar uma (cúpula) bilateral virtual antes do final do ano”, disse a autoridade norte-americana.

“A conversa de hoje, em termos gerais, foi uma interação mais significativa e substantiva do que as que tivemos até hoje abaixo do nível de líder”, afirmou, acrescentando que os EUA esperam que seja “um modelo para encontros futuros”.

Questionada sobre mais detalhes de uma possível futura reunião, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, disse: “Ainda estamos trabalhando em cima do que isso seria, quando e é claro, os detalhes finais, nós ainda não os temos”.

A mídia estatal chinesa, por sua vez, disse que Yang se opõe ao uso do termo “competição” para classificar as relações sino-americanas e o Ministério das Relações Exteriores da China disse que o diplomata afirmou que a confrontação prejudicará os dois países e o mundo.

“Os dois lados concordaram em agir… para fortalecer a comunicação estratégica, gerenciar as diferenças de maneira apropriada, evitar o conflito e a confrontação”, disse um comunicado da chancelaria chinesa.

(Por John Revill, Arnd Wiegmann e Michael Shields em Zurique, Ryan Woo em Pequim, Michael Martina, Steve Holland, Daphne Psaledakis e David Brunnstrom em Washington, Simon Lewis em Paris e Tom Daly)

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