As ações da Weg tiveram valorização de 28,98% nos últimos 12 meses. Em 2020, o ano do estouro da pandemia de covid-19, WEGE3 teve a segunda maior valorização do Ibovespa (+120,19%), atrás apenas da CSN (+125,73%) e à frente de nomes como Magazine Luiza (+109,78%), a queridinha do e-commerce. E um recente relatório do Credit Suisse chancelou o papel como boa aposta para os próximos meses.

O que explica isso? Para começar, seu modelo de negócios é bem sortido: tem foco em bens de capital, como equipamentos industriais, mas também inclui geração e transmissão de energia, além da fabricação de tintas e vernizes. A diversidade da companhia também é geográfica, com fábricas em 12 países e exportações para mais de 140. O que significa que mais da metade de sua receita (55%) entra em dólar.

Essa combinação de versatilidade, diversidade geográfica e exposição ao câmbio faz de WEGE3 um papel muito lembrado pelos investidores em momentos de crise, quando se buscam ações de empresas menos correlacionadas com a volatilidade do mercado doméstico.

Ao considerar que suas virtudes fazem da Weg uma espécie de porto seguro para o desafiador ano de 2022, o Credit Suisse emitiu recomendação de compra com classificação outperform (desempenho acima da média do mercado), projetando um preço-alvo de R$ 46 para 12 meses. Se isso se concretizar, será uma valorização de 15% sobre a cotação atual do papel, que negociou a pouco mais de R$ 40 na sexta-feira (24).

A companhia já se mostrou resiliente ao vencer diversos períodos de crise. Por outro lado, o histórico de bons resultados da Weg faz com que a empresa negocie a múltiplos elevados. Será que o ritmo de crescimento da empresa corresponderá ao que já foi precificado em suas ações? Veja o que explica a resiliência da Weg e se ela está ou não cara na opinião de analistas.

O que o modelo de negócio da Weg tem de interessante? A Weg é conhecida principalmente como uma fornecedora de equipamentos e maquinários, que atende a um vasto leque de indústrias, de diversos ramos e localidades. Ela compra matérias-primas e as modifica, acrescentando tecnologia, pesquisa e desenvolvimento, para fabricar equipamentos e desenvolver soluções completas para uso industrial.

“Ela produz motores, componentes eletrônicos, produtos usados na automação industrial, transformadores de força: uma gama completa de sistemas e produtos elétricos. É uma one-stop shop [atende a múltiplas necessidades no mesmo ambiente] e, por isso, está bem na frente dos competidores. O único concorrente global que hoje chega perto disso é a Siemens”, descreve o analista Frederico Nobre, da Warren Investimentos.

Vale destacar que o escopo de produção da Weg também conversa com aspectos como eficiência energética e sustentabilidade. Ela fabrica geradores e painéis movidos a energia solar e eólica, além de motores e fornos elétricos que podem substituir, respectivamente, motores a combustão e fornos movidos a carvão ou gás. Tudo isso vem bem a calhar em um momento em que a agenda ESG ganha importância no mundo todo – e, no Brasil, a crise hídrica está batendo à porta.

“A Weg tem demanda sempre que há demanda por crescimento industrial. Depois que as paralisações de fábricas criaram gargalos na cadeia produtiva, todos os segmentos em que ela atua voltaram a crescer, com a retomada da economia”, explica a analista Júlia Monteiro, da MyCap. “E ela deve continuar crescendo, alavancada pelos planos de infraestrutura dos Estados Unidos e Europa, que vão perdurar ao menos até o fim do ano e geram mais demanda pelos produtos da companhia.”

Como a empresa consegue ser tão resiliente e ir bem mesmo quando o Ibovespa vai mal? A combinação entre modelo de negócios variado e exposição internacional joga a favor da empresa. Sua presença global se reflete no faturamento, em que apenas 44% da receita se origina no Brasil – 25% vem da América do Norte, 15% da Europa, 6% da região da Ásia e Pacífico, 6% de outros países latino-americanos e 4% da África.

Ter um robusto caixa dolarizado foi providencial para que ela enfrentasse a pandemia em 2020 e ajuda a explicar por que WEGE3 é tão lembrada pelos brasileiros nos momentos difíceis.

“Diante de uma crise, o investidor corre para o dólar. E a Weg tem grande exposição ao dólar, já que metade de sua receita entra nessa moeda. Por isso, ela acaba sendo uma escolha natural nesses momentos”, explica Júlia. “Ao mesmo tempo, a diversificação geográfica faz com que a correlação da Weg com o Ibovespa seja baixa. Fatores de volatilidade pontual da nossa Bolsa, como questões políticas domésticas, não a afetam tanto.”

A Weg é tida como uma boa pagadora de dividendos, a ponto de atrair investidores por esse motivo? “Neste ano a Weg está distribuindo bastante, já pagou mais de 40% do seu lucro líquido sob a forma de dividendos e juros sob capital próprio. Mas não é uma empresa que atrai o investidor especialmente pelos dividendos”, responde a analista da MyCap.

No entanto, ainda que o dividend yield da Weg não seja dos mais altos, a empresa recompensa o investidor com a regularidade de seus resultados. “Ela continua performando bem, mesmo em momentos de instabilidade ou crise. Isso faz com que a ação dela oscile menos que as de outras empresas”, destaca Júlia.

O papel da Weg não está caro demais? De fato, os múltiplos da Weg estão acima da média do mercado. Mas isso se deve ao fato de a companhia apresentar resultados consistentes e crescentes, trimestre após trimestre, ano após ano”, justifica Nobre, da Warren. “Por conta dessa expectativa de crescimento futuro, os investidores já precificam a ação com múltiplos mais elevados.”

Bruce Barbosa, sócio da Nord Research, explica que o mercado espera da Weg um crescimento de Ebitda de um pouco menos de 30% para 2021, e crescimentos de 15% a 20% nos três anos seguintes. “Considerando que hoje ela negocia a 40 vezes o Ebitda que apresenta, mesmo que ela apresente um Ebitda crescente de longo prazo, o papel está caro demais”, afirma.

Ele reconhece que a Weg se provou um ótimo negócio nos últimos anos, mas pondera que dá para encontrar outras empresas com potencial de crescimento similar, a preços mais baixos.

“A Locamerica, por exemplo, negocia a menos de 10 vezes o Ebitda e vem crescendo 30% ao ano. E nos próximos anos deve manter esse ritmo, porque o mercado de locação no Brasil ainda é pequeno e tem potencial de crescimento”, prevê. “A Weg é ótima, mas tem coisa mais interessante no mercado cobrando menos pelos resultados.”

Júlia conta que a MyCap sempre avaliou a Weg como cara e, mesmo assim, incluiu WEGE3 em sua carteira recomendada – pela primeira vez – em setembro. Ela diz que o que mudou não foram as expectativas da casa sobre a Weg, mas o cenário para outras empresas, que ficou mais adverso.

“Se eu quero montar uma carteira de crescimento, mas um pouco defensiva, a Weg se torna atrativa por ser resiliente, sem tanta exposição ao cenário doméstico ou ao real”, argumenta. “Ela é cara perto do potencial de outras empresas, mas, como o horizonte dessas empresas ficou turbulento, Weg passou a fazer sentido. Ela tem múltiplos altos, mas ainda tem potencial de apreciação e ajuda a proteger a carteira”, conclui.

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