Por Polina Devitt e Darya Korsunskaya

(Reuters) – Durante uma sessão televisionada com cidadãos russos comuns no mês passado, uma mulher pressionou o presidente Vladimir Putin sobre os altos preços dos alimentos.

Valentina Sleptsova questionou o presidente sobre o motivo das bananas do Equador agora serem mais baratas na Rússia do que cenouras produzidas localmente e perguntou como a sua mãe pode sobreviver com um “salário de subsistência” com o custo de alimentos básicos como batatas tão altos, de acordo com uma gravação do evento anual.

Putin reconheceu que os altos custos dos preços dos alimentos são um problema, incluindo a “chamada cesta de borsch” de legumes básicos, culpando os aumentos mundiais dos preços e a escassez doméstica. Porém ele afirmou que o governo russo tomou medidas para lidar com o problema e que outras medidas estão sendo discutidas, sem elaborar.

Sleptsova representa um problema para Putin, que conta com amplo consentimento público. Os maiores aumentos nos preços de consumo estão perturbando alguns eleitores, particularmente os russos mais velhos em pequenas pensões que não querem ver um retorno aos anos 90 quando uma inflação muito alta levou à escassez de alimentos.

Isso levou Putin a pressionar o governo a tomar medidas para combater a inflação. As ações do governo incluem taxas nas exportações de trigo, que foi introduzida no mês passado numa base permanente, e limitar o preço de varejo de outros alimentos básicos.

Porém ao fazer isso, o presidente enfrenta uma escolha difícil: ao tentar evitar descontentamento entre os eleitores com a alta dos preços ele arrisca prejudicar o setor agrícola da Rússia, com os produtores do país reclamando de novas taxas e desencorajando-os de fazer investimentos a longo prazo.

(Reportagem de Polina Devitt e Darya Korsunskaya; Reportagem Adicional de Maria Vasilyeva, Andrew Osborn, Nigel Hunt, Ruma Paul e Nadine Awadalla)

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