A espanhola Telefónica, dona da Vivo no Brasil, quer se reestruturar e valorizar suas operações. Para isso, está no radar a compra de uma parte da Oi, a operadora brasileira em recuperação judicial desde 2016. O valor da transação é estimado em € 6 bilhões,  ou cerca de R$ 27 bilhões, segundo informações do jornal espanhol El Confidencial.

O que já se sabe sobre a transação? De acordo com o jornal, a Telefónica está consultando o banco americano Morgan Stanley para ajudá-la a analisar se a aquisição da Oi vale a pena. O negócio possibilitaria à Telefónica ampliar sua base de clientes, o acesso a dados e à rede de telefonia já instalada. Basicamente, as operações da Telefónica no Brasil — no caso da Vivo — poderiam ser ampliadas mais facilmente.

Qual é a situação da Oi? A companhia está em crise há muitos anos. Em junho de 2016, a Oi pediu recuperação judicial para tentar reestruturar suas operações, diante de uma dívida de R$ 65 bilhões. Em dezembro de 2017, conseguiu a aprovação do plano de recuperação pelos credores, mediante uma estratégia que previa o perdão parcial da dívida, alongamento dos prazos de pagamento e a venda de ativos. Credores e acionistas também concordaram em fazer uma injeção de recursos para que a Oi voltasse a investir e a crescer, mas os resultados não chegam.

Só no segundo trimestre desse ano, a empresa teve um prejuízo de R$ 1,56 bilhão. A dívida líquida — apesar de todo o perdão com a recuperação judicial — voltou a subir e atingiu R$ 12,6 bilhões.

O que vai acontecer com a Oi? A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) já decidiu que o governo brasileiro não vai intervir para salvar a Oi. Pelo contrário, indicou que prefere que o próprio mercado solucione a situação. A Vivo é a companhia com a maior base de assinantes, seguida por Tim e Claro. A Oi é a quarta.

O projeto aprovado na semana passada tem a ver com o interesse da Telefónica? Sim. A chamada PLC 79, que altera a Lei Geral das Telecomunicações e permite que concessionárias de telefonia fixa mudem seus contratos do regime de concessão para o de autorização, é um estímulo a mais para a compra parcial da Oi.

Isso porque o projeto de lei, já encaminhado para a sanção presidencial, dá mais liberdade às operadoras de telefonia e abre espaço para novos investimentos em banda larga, em detrimento de obrigações com a telefonia fixa, como a manutenção de orelhões em centenas de cidades no interior do país – uma exigência da lei atual.

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