A agenda sustentável ganhou uma baita força em 2020, numa tendência encabeçada por grandes empresas como Ambev, Magazine Luiza e a pioneira Natura. Mas isso não significa que a sustentabilidade é só coisa de gigante.

Pelo contrário. Adaptar os planos e criar boas práticas sociais e ambientais pode ser mais fácil justamente nas pequenas e médias empresas, estejam elas nas pequenas cidades ou nos bairros dos grandes municípios.

É o que diz o Sistema B, organização que dissemina práticas para que empresas usem a força do mercado a fim de solucionar problemas sociais e ambientais – e certifica com o Selo B para as firmas que se provam parte da solução.

Há provas de que dá para fazer: das 180 Empresas B, 80% são PMEs, afirma Márcia Silveira, diretora de articulação e comunicação institucional do Sistema B no Brasil.

Para fomentar a adesão de outras PMEs, que junto às micro empresas representam mais de 90% do total de negócios no país, o Sistema B tem duas ferramentas gratuitas e online, e uma paga, que ajudam os negócios a mapearem em que estágio estão da sustentabilidade, e como evoluir.

BIA, ou Avaliação de Impacto B:  é um questionário que entrega um retrato de como a empresa está em relação a temas de governança, funcionários, cadeia de fornecedores, meio ambiente e clientes. A ferramenta gratuita trata da empresa em si, e não do produto.

São 200 questões adaptadas para cada firma, que previamente informam seu porte, setor e localização geográfica.

Na primeira parte, algumas perguntas tratam da transparência na divulgação das despesas em relação aos funcionários, parâmetros de remuneração dos colaboradores, diversidade racial e de gênero na gestão, relação com fornecedores e geração de resíduos.

As respostas são compiladas em um relatório que indica a performance da empresa em cada um dos itens e sua respectiva situação em relação a outras firmas. E na sequência há um guia com as melhores práticas para direcionar os esforços nas áreas mais caras ao gestor.

Márcia afirma que mais de 6 mil empresas já preencheram o questionário. Isso não significa necessariamente que elas estejam em busca do Selo B. “É uma ferramenta segura, e por meio dela o empreendedor começa a nortear o negócio dele e inicia a jornada de adequação ou mudança de gestão”, diz.

SDG Action Management:  Aqui o objetivo é clarear a qual ou quais dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (Organização das Nações Unidas) a empresa se enquadra, e de que maneiras pode aprimorar sua contribuição nesse sentido. É uma ferramenta mais sobre o produto oferecido.

A ferramenta foi desenvolvida pelo Pacto Global da ONU e pelo B Lab, organização global que desenvolveu o Sistema B. De novo, a intenção é primeiro identificar o impacto e medi-lo, para a partir daí monitorá-lo.

“Quem não mede não gerencia. Se não medir o quanto está fazendo, não tem nem input de para onde se pode ir”, reforça Marcia.

Caminho + B: essa já é uma ferramenta paga, em que consultores conversam diretamente com os representantes das empresas para ajudá-los no passo a passo do processo rumo à sustentabilidade aplicada ao modelo de negócios. Quem explica é Hilden Allgaier, diretora de desenvolvimento de novos negócios.

Cinco empresas são reunidas em grupos e acompanhadas por um consultor do Sistema B. São três módulos de trabalho, de avaliação a direcionamento prático de como agir. O custo por empresa é de cerca de R$ 2.200 e inclui um encontro posterior, cerca de 30 dias depois, para avaliar como está o andamento das medidas sugeridas.

“O objetivo é acelerar processo de rede de pequenas empresas”, diz Hilden. Cinco grupos já foram formados e a expectativa é que em 2021 outros dez sejam formados – digitalmente. Enquanto não há site específico para a ferramenta, os interessados devem enviar um email para brasil@sistemab.org  informando que deseja participar de Caminho +B.

Exemplos de boas práticas: Hilden lembra que mesmo os negócios bastante convencionais como padarias, restaurantes, lojas de construção e supermercados de bairro, podem ter pequenas ações como estimular as ecobags e ter mais controle sobre a gestão de resíduos na loja.

“As ferramentas do Sistema B fazem perguntas simples e profundas que estimulam a reflexão”, diz a diretora.

Nesse processo, já houve caso de empresa familiar que se lembrou do legado da família na cidade, e a partir disso desenvolveu medidas. E pequenas lojas que toparam construir uma pequena estante de produtos naturais.

Divulgue toda ‘boa prática’: Marcia, que também é profissional da área do marketing, aconselha os negócios a darem visibilidade para toda e qualquer ação direcionada a boas práticas. “Coloque um faixa na loja e na cidade, divulgue para os clientes, fale na rádio e nas redes sociais”, sugere. Ela acredita que isso agrega valor à marca, por menor que seja.

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