Passados cerca de dois anos da largada do processo de reestruturação do antigo banco Indusval – que foi rebatizado Voiter em 2020 -, a empresa agora acelera sua trajetória digital com uma aquisição. O banco comprou a fintech IOUU, voltada à concessão de crédito a pequenos empreendedores. O objetivo é dar musculatura à operação digital, que também está ganhando nova marca: o Smartbank agora vai se chamar Letsbank.

“Tínhamos atraso em relação ao crédito. Passamos de três a quatro meses analisando alternativas de crédito para acelerar a monetização do banco e atender a esse mercado, que é muito carente”, comenta o sócio da consultoria Estáter, Pércio de Souza.

Souza chegou ao Indusval, fundado nos anos 1960, junto com o novo controlador, o empresário do agronegócio Roberto de Rezende Barbosa, ex-dono da Usina NovAmérica. Desde agosto de 2019, ele também reorganizou o negócio, colocando os créditos podres do antigo Indusval em uma empresa não financeira.

Paralelamente ao esforço digital, a Estáter tenta arrumar a casa e zerar os prejuízos do Indusval: cerca de R$ 400 milhões já foram injetados no banco, em grande parte vindos de Barbosa. A estimativa é que ainda serão necessários aportes entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões, montante que Souza acredita que será suficiente para “limpar” o balanço.

Por trás está a missão de deixar para trás o Indusval, que no ano passado registrou um prejuízo de R$ 235 milhões. O “novo” Voiter, segundo Souza, já apresentou um lucro de cerca de R$ 10 milhões do ano passado e segue o caminho para ser um banco de negócios, que vai atender de startups a grandes empresas.

Com o reforço do crédito, a projeção é de que o banco digital entre em 2022 já com suas receitas e despesas no equilíbrio. O interesse de Souza no negócio vai além da consultoria. Por contrato, sua butique de investimentos tem o direito de comprar 50% do banco daqui a cerca de cinco anos.

Sociedade para crédito

O crédito era a peça que faltava para a operação crescer, segundo o sócio da Estáter. A IOUU será comprada em dinheiro e ações. O fundador da fintech, Bruno Sayão, ficará com 6% do Letsbank. O valor do negócio não foi revelado.

Não está no planejamento do Letsbank atuar em “mar aberto”, um ambiente de grande competição dado o número de fintechs que surgem continuamente dentro do processo de digitalização do mercado financeiro no País.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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