O setor de buffets infantis foi um dos mais afetados pela crise do coronavírus. Afinal, quem vai ter coragem de fazer um festão em plena pandemia? Proibidos de funcionar desde março, os empresários do setor não sabem quando poderão reabrir as portas, pois esse tipo de negócio não está nem classificado nas fases de retomada dos governos estaduais.

Mesmo quando puderem funcionar, eles não sabem se o público se sentirá seguro para voltar a frequentar espaços fechados que reúnem adultos e crianças e nos quais há compartilhamento de brinquedos, mesas e cadeiras.

Enquanto essa autorização não sai, muitos buffets estão se reinventando. A maioria começou a trabalhar com kits de aniversário, que incluem bolo, doces, salgados e até decoração.  A novidade da vez é a festa drive-in, criada pela rede de buffets Cata-Vento.

Como funciona a festa drive-in? É uma espécie de cine drive-in realizado na casa de eventos. O buffet monta um telão em seu estacionamento e projeta o filme escolhido pelo aniversariante. Os convidados assistem ao filme, comem e cantam parabéns de dentro do carro. Existe a opção de incluir um show de mágicas ou outro tipo de recreação na comemoração.

“A festa drive-in é a que mais se aproxima das que fazíamos antes da pandemia. Dependendo do espaço, não existe limitação para número de carros e convidados, desde que as regras de segurança sejam cumpridas”, diz Marcelo Golfieri, presidente da rede Cata-Vento de Buffets e diretor da Adibra (Associação das Empresas de Parques de Diversões do Brasil) para Buffets.

O que mais o setor tem feito? Marcelo diz que tem de tudo um pouco. “Os buffets estão tentando alternativas para gerar receita. Alguns estão com festa online, festa na caixa e até alugando o espaço por hora para utilização pelas famílias”, afirma.

O problema, segundo ele, é que essas alternativas não são suficientes para cobrir os custos da operação. “Nosso serviço sempre foi pautado em grandes espaços e aglomerações. Mesmo que passemos a fazer delivery de salgadinho, o faturamento não chega nem a 10% do que fazíamos com as festas pré-pandemia. Na maioria dos casos, não chega a 5%.”

É por isso que os donos do buffet Los Chicos não aderiram à venda de kits de doces e salgadinhos, como a maioria fez. “A gente tem um custo de operação muito alto. Vender coxinha não paga a estrutura que tenho. Meu gasto fixo mensal é de R$ 22 mil”, disse Marilia Haddad, sócia do buffet Los Chicos. “Não adianta vender kits de R$ 30 e R$ 40 e achar que vai pagar o custo.”

Segundo ela, a casa ficou muito tempo fechado. Enquanto negociavam custos com fornecedores e de aluguel, ela e o marido partiram para a festa em casa. O serviço consiste em levar uma festa completa para a casa do aniversariante. “Tem decoração, bexiga, bolo, salgadinho.” Também dá para incluir kits para os convidados.

Festa em casa montada pelo buffet Los Chicos

Tem casa fechando? Sim, mas a Adibra não tem os dados oficiais, pois o setor é muito pulverizado. Marília conta que já comprou muito brinquedo de buffets que fecharam na crise. “Tem brinquedo que veio de buffet em Minas. A crise é generalizada.”

O que o setor pode fazer para sobreviver? Ariadne Mecate, consultora do Sebrae-SP, diz que o setor precisa encontrar formas de manter contato com o cliente mesmo de portas fechadas. “Já que não dá para vender festas agora, o buffet pode relembrar nas redes sociais os momentos de felicidade que já proporcionou. Mostrar como tudo isso foi divertido, pois uma hora tudo isso vai passar e a marca estará na memória do cliente.”

Ariadne diz que a palavra de ordem para esse setor é renegociar contratos com fornecedores de produtos, serviços, aluguéis, além das medidas que permitem reduzir salários e suspender contratos de funcionários.

Para os que querem fazer alguma coisa até a reabertura, a recomendação de Ariadne é buscar aquilo que tem a ver com seu negócio. “A gente sempre orienta que a empresa busque qual a proposta de valor que ela tem. Se o seu negócio é festa, então você trabalha com entretenimento, felicidade. Pense em como adaptar isso para as condições atuais.”

Segundo a consultora do Sebrae, iniciativas como essas de festa online, kit festa e drive in são soluções para se manter em operação. “Precisa ter em mente que o faturamento dificilmente vai ser igual ao registrado antes da pandemia, mas é uma forma de entrar receita.”

Por que os pais escolhem esse tipo de festa? Ana Paula Cosentino, que trabalha com casting de elenco, vai comemorar o aniversário de 8 anos do filho nesta sexta-feira. Ela disse que descobriu a festa drive-in enquanto procurava opções para o aniversário. “Achei bem interessante, mas antes de fechar conversei com outros pais para saber se eles topariam participar. Sabemos que o momento é de ficar em casa, então tínhamos medo de fazer a festa e os convidados não aparecerem. Mas somente uma das famílias ficou com receio de sair de casa.”

“Só ficamos seguros de marcar porque existem vários protocolos de saúde para garantir a segurança de todos os participantes”, afirma.

E qual vai ser a lembrancinha? É lógico que em tempos de pandemia vai ter álcool em gel.

Tem protocolo de segurança?  O setor elaborou um protocolo, mas não há nenhuma previsão de abertura. Alguns empresários usam como referência a data de reabertura dos parques de diversão, que em São Paulo é de 12 de outubro se todo o Estado ficar 28 dias na fase amarela.

“O setor fez um protocolo que ainda não foi validado pela prefeitura. A expetativa é 12 de outubro, mas tudo pode mudar”, afirma Hubert Krause, consultor do setor de buffets.

O protocolo prevê:

  • Redução de 60% da capacidade de utilização
  • Fechamento de brinquedos com interação, como piscina de bolinha
  • Redução de assentos disponíveis nos brinquedos
  • Distanciamento de 1,5m entre as pessoas
  • Higienização de todos os equipamentos após a utilização
  • Uso de máscaras por convidados e funcionários
  • Restrição para mudar de mesa e cadeira (cada um fica na sua)

 

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