O agravamento da crise fiscal forçou o governo a suspender os repasses de dinheiro para a construção dos imóveis populares do Minha Casa, Minha Vida. E os efeitos disso apareceram no balanço da principal construtora envolvida no programa, a MRV. No terceiro trimestre, o lucro líquido da empresa caiu 8% em relação ao mesmo período do ano passado.  Nesse meio tempo, o preço da matéria-prima também ficou maior, o que pesou sobre o resultado da empresa.

Vamos aos números:

O lucro líquido foi de R$ 160 milhões.

Com menos repasses, a empresa queimou R$ 198 milhões de caixa, ante geração de R$ 241 milhões um ano antes.

O número de unidades vendidas entre julho e setembro despencou 32,5%, para 7.266.

O Ebitda, lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização foi de R$ 248 milhões, alta de 4,2% na base anual. Entretanto, analistas esperavam lucro de R$ 184,6 milhões e um Ebitda de R$ 257,5 milhões, segundo a Refinitiv, analista do setor de infraestrutura.

O VGV (Valor Geral de Vendas) caiu 3% na base anual.

O preço medio da unidade aumentou em 9,8%, para R$ 168 mil.

A margem bruta caiu de 33% para 29,5%, resultado da flexibilização que a construtora precisou fazer para conseguir concluir vendas. Segundo a MRV, a adaptação foi uma resposta necessária ao maior rigor na concessão de créditos pelos bancos financiadores.

Matérias-primas como aço e concreto ficaram mais caras, o que também pesou sobre a margem bruta.

Que medidas a empresa tomou para ajustar as contas? Como forma de conter parte dos custos, a empresa afirmou no balanço que está substituindo mão-de-obra terceirizada por própria, que atingiu no terceiro trimestre 70% do pessoal. O objetivo é conseguir com isso melhor qualificação dos funcionários e melhoria em produtividade.

Qual a sinalização para os investidores? A MRV informou ainda que vai pagar em 27 de novembro primeira parcela, no valor de R$ 163,95 milhõe  de dividendo extraordinário aprovado em abril. Ao todo, a empresa afirma que vai pagar R$ 1,11 real por ação em dividendos relativos a 2018.

(Com Reuters)

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