O presidente da XP, Guilherme Benchimol, usou a rede social Linkedin para responder ao fogo amigo do Itaú, que é o seu principal acionista mas mesmo assim publicou uma série de vídeos atacando o modelo de agentes autônomos de investimentos popularizado pela corretora.

“A campanha do Itaú só reforça que estamos no caminho certo. Para o maior banco do país, com mais de 90 anos de tradição, ir a público e ofender uma profissão tão fundamental para o desenvolvimento financeiro dos brasileiros, é porque realmente percebeu que não consegue mais competir colocando o cliente em primeiro lugar”, afirmou Benchimol.

Em outro momento, o executivo ironiza o slogan do Itaú: “Tenho uma certeza: se tem algo que o banco não é, nem nunca foi, é ser feito para você”, completou.

Os vídeos foram lançados na noite de terça-feira (dia 23) pelo Itaú Personnalité, segmento premium do maior banco brasileiro.

Veja o trecho da nota de Benchimol em que o presidente da XP faz referência ao Itaú:

“A nova campanha do Itaú ataca o comissionamento dos assessores na distribuição de produtos financeiros, como se ganhar dinheiro com o trabalho fosse errado. Sempre fomos transparentes nisso. O assessor é um empresário, um empreendedor que tem a sua própria empresa e somente sobrevive se a visão for de longo prazo, com um cliente realmente satisfeito e muita ética em todas as suas atitudes. Se ele falhar, não poderá mudar de emprego, mas, sim, fechará o seu negócio.

Com certeza temos muitos pontos a evoluir, natural de toda empresa. Mas trabalhamos duro para melhorar sempre e tenho orgulho de dizer que temos o maior índice de satisfação de todo o sistema financeiro brasileiro (NPS de 71 auditado). Para nós, essa é a melhor prova da sustentabilidade do nosso negócio.

A campanha do Itaú só reforça que estamos no caminho certo. Para o maior banco do país, com mais de 90 anos de tradição, ir a público e ofender uma profissão tão fundamental para o desenvolvimento financeiro dos brasileiros, é porque realmente percebeu que não consegue mais competir colocando o cliente em primeiro lugar.

Tenho uma certeza: se tem algo que o banco não é, nem nunca foi, é ser feito para você.

Apesar de toda a nossa história, estamos só no começo. Podem ter certeza de que não descansaremos enquanto todos os abusos dos bancos não acabarem.”

Como são as campanhas: Em um dos vídeos, três assessores de investimento do Itaú Personnalité dão depoimentos para a câmera. Um deles, identificado como Eduardo Forestieri, afirma: “Sua carteira é feita para você ganhar, porque nossa remuneração não muda conforme o investimento que você faz.”

Outra especialista do Itaú, Patricia Aiello, mira os clientes que perderam dinheiro com a queda da Bolsa deste ano. “Em 2019, eu cheguei até a perder clientes aqui no Itaú Personnalité, só porque a gente não recomendava entrar cegamente na euforia da Bolsa.”

Em outro vídeo, um cliente que diz estar em 2019 recebe ligações de seu assessor de investimento com dicas para aplicar o seu dinheiro. “Tô me sentindo o rei de Wall Street”. A mesma pessoa, dessa vez em 2020, rebate: “Aqui em 2020, a gente viu que não tinha risco para ele, que ganhava comissão por tipo de investimento”.

E por que isso ataca o modelo da XP? Sem agências próprias, a XP trabalha com o modelo de agente autônomo. Em geral, são ex-gerentes de banco e profissionais com experiência no mercado financeiro que passam a representar a XP junto a clientes pessoa física.

Eles funcionam como assessores de investimento, e recomendam produtos disponíveis na plataforma da corretora. Eles não recebem salário da XP. Sua remuneração vem de uma comissão por investimento feito pelo cliente — modalidade conhecida como “rebate”.

O percentual da comissão varia de acordo com o produto investido, o que levanta suspeitas de que as indicações podem ser feitas visando o tamanho da comissão recebida, e não a rentabilidade ou adequação ao perfil do investidor.

 

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