Os quatro maiores bancos brasileiros com ações na B3 provavelmente terão pouco ou nenhum crescimento de seu lucro líquido em 2020, depois de anos de taxas de expansão de dois dígitos, de acordo com analistas.

Nesta quarta-feira (dia 29), antes da abertura dos mercados, o Santander Brasil abrirá a temporada de balanços do setor relativos ao quarto trimestre do último ano. Pela manhã, o presidente do banco espanhol no país, Sergio Rial, dará entrevista. Para analistas, é o fim de uma era de crescimento do lucro, pelo menos por ora.

O que se deve esperar dos resultados? A recuperação econômica gradual, as baixas taxas de inadimplência e os ganhos extraordinários em créditos fiscais provavelmente impulsionaram o lucro líquido dos maiores bancos em até 20% ao longo do último ano em relação a 2018, mostraram relatórios de analistas.

Ainda assim, os acionistas estarão atentos às previsões para 2020 de Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco e Santander Brasil para ver se elas correspondem às baixas expectativas deles.

“Pode ser um dos primeiros anos em uma década em que o resultado dos grandes bancos pode até pode vir com queda de lucro”, disse o gestor de ativos Ricardo Campos, sócio-fundador da Reach Capital.

Quais as razões para a mudança nas perspectivas? Dentre os fatores que podem afetar os resultados estão tributos mais altos, a imposição de limite à taxa de juros do cheque especial, a taxa básica de juros em mínima histórica e uma concorrência mais acirrada com as startups financeiras, as fintechs.

Após anos de amplas margens de lucro em um mercado muito concentrado, com os cinco maiores bancos do Brasil detendo 82% do total de ativos, instituições como Banco InterC6 Bank e Nubank estão desafiando os players tradicionais, ajudados por novas regras do Banco Central que promovem a concorrência.

No mercado financeiro, corretoras como XP Investimentos e Easyinvest e gestoras como a própria XP Asset Management, Alaska Asset Management e ARX Investimentos — para citar as três maiores (em número de cotistas) que não pertencem aos grandes bancos — atraem a maior parte dos recursos que vão para fundos.

O que dizem os analistas? “A perspectiva para a receita com tarifas e serviços dos bancos não é positiva porque novos players estão entrando neste mercado, fintechs, varejistas e até mesmo operadoras de telefonia”, disse o analista Marcel Campos, da XP Investimentos.

Analistas do Bank of America disseram em nota a clientes que o limite do cheque especial deve reduzir em 3% do lucro líquido dos bancos este ano.

Os lucros também serão prejudicados por tributos, já que o governo aumentou a alíquota da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) dos bancos de 15% para 20%.

“2020 deve ser um ano de transição para os bancos brasileiros, com margens e lucros não se alavancando totalmente pelo ciclo positivo de crescimento do crédito, o que deve se traduzir em um modesto crescimento de 2,6% nos lucros dos bancos de grande porte em relação a 2019”, disseram analistas do Credit Suisse em relatório.

Os analistas do Itaú prevêem um crescimento dos lucros entre zero e 5% neste ano.

Quais as consequências desse novo momento? As ações dos quatro maiores bancos estão com um desempenho inferior ao do Ibovespa neste ano. O Itaú apresenta o pior desempenho do setor, com queda próxima a 10% em janeiro, enquanto o índice está praticamente estável em relação ao fechamento de 2019.

Quando os demais grandes bancos vão divulgar seus balanços? O Bradesco anuncia seu resultado na quarta (dia 5) da semana que vem, antes da abertura do mercado; o Itaú Unibanco, no dia 10, depois do fechamento; no dia 13, será a vez do Banco do Brasil (pela manhã).

(Com a Reuters)

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