Uma visita à praça de alimentação dos principais shoppings de São Paulo mostra o retrato dos problemas que esse segmento vem enfrentando desde o começo da pandemia de coronavírus. Primeiro, eles foram obrigados a encerrar o atendimento ao público e tiveram que trabalhar apenas com retirada ou delivery para sobreviver.  Desde a semana passada, os shoppings puderam reabrir suas praças de alimentação. Mesmo assim, vários restaurantes preferiram ficar de portas fechadas.

No Mooca Plaza, zona leste de São Paulo, administrado pela brMalls, continuam de portas fechadas as redes Patroni, Divino Fogão, Pizza Hut, Poke Poke e Starbucks. Lojas dessas marcas continuam fechadas em outros shoppings.

O presidente do grupo Patroni, Rubens Augusto, conversou com o 6 Minutos sobre os motivos de apenas 36 das 204 lojas da rede estarem funcionando. “Abrir neste momento é aumentar o prejuízo”, disse.

Como assim? Por que ficar fechado é melhor do que abrir? Para começar, segundo Augusto, o movimento na praça de alimentação está fraquíssimo. Veja o que ele disse:

  • Baixo faturamento: “Os restaurantes estão faturando apenas 20% do que faziam antes da pandemia”, disse Augusto.
  • Horário ruim: “Os restaurantes de shopping precisam abrir no almoço e jantar. Funcionando das 16h às 22h, a gente perde o horário do almoço. É muito ruim.”
  • Gasto com folha de pagamento: “Se eu fico fechado, mantenho suspenso os contratos dos funcionários e quem paga o salário deles é o governo. Se abro, tenho gasto com folha de pagamento.”
  • Aluguel caro demais: “Alguns shoppings insistem em cobrar o aluguel cheio. Estamos entrando com ações na Justiça para reverter isso.”

O que os lojistas pedem? Augusto afirma que ele pertence a um grupo de empresários que reivindica o pagamento de um aluguel proporcional ao faturamento da loja. Esse percentual iria variar de 5% a 8% da receita da loja. “Queremos que esse seja o valor a ser pago até o fim do ano para que possamos reabrir.”

Segundo ele, a renegociação do aluguel é ponto fundamental para a reabertura das lojas que permanecem fechadas.

João Carlos Altieri, diretor-executivo da Ablos (Associação Brasileira dos Lojistas Satélites), diz que os lojistas reivindicam custos mais adequados à realidade das vendas atuais, “buscando o equilíbrio das operações para não fecharem suas operações”.

A Alshop (associação de lojistas de shoppings centers) pede que o horário de funcionamento em São Paulo, que hoje é das 16h às 22h, seja alterado para das 12h às 20h. “Abrir ao meio dia melhora o chamado ‘movimento do almoço’ especialmente em empreendimentos próximos a regiões comerciais que vivem desse fluxo”, explica Nabil Sahyoun, presidente da Alshop. “O horário ampliado permitiria às praças a reabertura para duas refeições e movimento distribuído ao longo do dia.”

O que outras redes disseram sobre o fechamento?

Starbucks: A rede informa que “26 lojas Starbucks estão operando em todo o país, com diferentes modelos e serviços, como delivery, take away, drive-thru e/ou atendimento em áreas de café, de acordo com as normas específicas para cada cidade em que está presente.”

Divino Fogão: Das 184 unidades, 37 estão abertos ao público e 39 operando com o delivery. “Em grande parte o delivery está sendo feito pelas unidades que já estão operando e por alguns restaurantes que ainda estão fechados, seguindo o decreto do município e região onde atuam.”

Pizza Hut: das 235 unidades no país, 165 já voltaram a funcionar seguindo os protocolos locais. “A retomada está sendo realizada conforme a legislação de cada cidade.”

O que os shoppings disseram? Procurados, Abrasce (associação brasileira de shoppings centers), brMalls e Multiplan não responderam aos pedidos de informação até a publicação da reportagem.

Sinalização em loja da Pizza Hut

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