A BlackRock diz que a escala global das necessidades de reestruturação pode superar o pico anterior que se seguiu à crise financeira de 2008.

“Uma razão importante é o crescimento significativo da dívida com grau de subinvestimento”, disse o BlackRock Investment Institute, braço de pesquisa da empresa, em relatório de 19 de outubro. O montante da dívida em aberto com notas abaixo do grau de investimento, incluindo empréstimos e crédito privado, mais do que dobrou para US$ 5,3 trilhões desde 2007, de acordo com a gestora de ativos.

Com a queda geral dos juros, as empresas se endividaram. Isso deixou muitas vulneráveis, pois suas receitas foram pressionadas por paralisações relacionadas à Covid-19.

A BlackRock não é a única a emitir um alerta sobre os riscos de reestruturações das empresas. Apesar dos juros baixos, o terceiro trimestre foi o pior já registrado para pedidos de recuperação judicial de empresas nos EUA.

Embora políticas fiscais e monetárias de apoio tenham ajudado empresas a levantarem capital e reduzirem custos de financiamento, “nem todos os tomadores se beneficiaram igualmente”, e companhias de menor porte não têm tido acesso aos mercados públicos, disse a BlackRock no relatório.

Muitas empresas podem precisar recorrer ao crédito privado para se reestruturar após a Covid-19, de acordo com a gestora de ativos, e isso oferece diversificação de retorno potencial para investidores. Desde 2007, o crédito privado tem mostrado crescimento especialmente rápido, tendo expandido para US$ 850 bilhões com o financiamento de empresas que antes teriam procurado bancos ou o mercado público de alto rendimento, acrescentou.

As empresas provavelmente terão que desenvolver seus modelos de negócios em meio à pandemia, e a BlackRock vê uma “onda de reestruturações” e espaço para o crédito privado atender a demanda de tomadores de empréstimos de menor porte.

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