A reabertura da economia deve dar um fôlego extra para a ampliação do saque no comércio. Como muitos estabelecimentos ficaram fechados por mais de 100 dias, não fazia muito sentido ampliar esse serviço durante a pandemia.

Agora, com a reabertura de lojas, shoppings e restaurantes na maior parte do país, empresas como TecBan e PayGo, empresa de meios de pagamentos do C6 Bank, têm planos para acelerar a oferta do saque no varejo para seus clientes.

Como funciona esse tipo de transação? O nome já explica a operação: é a possibilidade de sacar dinheiro em um estabelecimento comercial, que pode ser um supermercado, padaria, açougue, loja de conveniência, restaurante ou outro qualquer.

Qual a vantagem desse serviço? As empresas que operam esse serviço dizem que tanto clientes quanto comerciantes têm benefícios. Para o cliente, a principal vantagem é a conveniência de poder se deslocar menos para sacar dinheiro.

Por que as pessoas precisam sacar no comércio? Em pleno 2020, pode parecer estranho ampliar as opções de saque de dinheiro, já que os pagamentos eletrônicos estão cada vez mais presentes no dia a dia da população. Mas números da Tecban, dona da Rede 24Horas, mostra que uma parte da população, principalmente os de menor renda, ainda depende muito do dinheiro físico. Por isso, o volume de dinheiro sacado em julho cresceu 25% em relação a abril.

Fora isso, não são todos os lugares que contam com caixas para sacar dinheiro. Dados da PayGo mostram que dos 5.570 municípios brasileiros, apenas 800 cidades contam com serviços de caixas 24Horas que permitem o saque fora de uma agência bancária.

“Conheço casos em que no dia do pagamento há uma migração de pessoas para cidades vizinhas para sacar dinheiro. Sabe o que acontece? A pessoa saca e gasta o dinheiro na outra cidade. Se ela puder sacar perto de casa, vai estimular a economia da sua região”, diz Tiago Aguiar, superintendente de Novas Plataformas da TecBan.

E o que o comerciante ganha ao fazer pagamentos? Primeiro, o comerciante ganha uma remuneração por transação efetuada – de R$ 1,50, no caso da PayGo. “O usuário ganha mais lugares para fazer o saque, não paga por isso, o estabelecimento ganha uma remuneração por transação”, afirma Philippe Katz, CEO da PayGo.

Mas existem outras vantagens indiretas, segundo Aguiar. “Ajuda o estabelecimento a ter mais gente circulando lá dentro, ajuda a circular o dinheiro na economia. E ajuda o comerciante na hora de fechar o caixa. O dinheiro que o usuário saca entra na sua conta no mesmo dia, sem que ele precisasse se deslocar até o banco para depositá-lo.”

Outro atrativo é que o custo dessa operação é muito baixo, segundo Katz. “É mais barato que um saque normal, funciona como se fosse um pagamento no débito.”

O que as empresas estão fazendo para ampliar o serviço? As estratégias são diferentes, mas o fim acaba sendo o mesmo: facilitar o saque do dinheiro. A TecBan lançou na semana passada o serviço em 15 localidades do país. O critério de escolha foi privilegiar cidades em que o acesso ao dinheiro ou internet é restrito. A previsão é estar em 100 mil pontos até o fim do ano.

A PayGo vai aproveitar a reabertura da economia para acelerar o serviço. “Lançamos um piloto no final de fevereiro. Com a pandemia, seguramos a expansão da base, pois não fazia sentido, com os estabelecimentos fechados e as pessoas em casa, focar nesse serviço. Preferimos focar no link de pagamento e aceitação do auxílio emergencial, por exemplo”, conta Katz.

A meta da PayGo é oferecer o C6 Express, nome do saque no comércio, para seus 45 mil clientes. “Agora, o plano é acelerar a capilaridade da base e dos clientes.”

Como funciona a operação em cada empresa?

Banco 24Horas – O saque digital está disponível para clientes dos bancos e carteiras que aderiram ao serviço. Pelo app da instituição, ele descobre quais comércios podem realizar o saque.

Para sacar, ele deve fazer a operação no caixa do estabelecimento comercial, por cartão ou QR Code (gerado no totem na loja ou no app do banco). Os valores máximos de saque dependem de negociações feitas com cada comerciante.

PayGo – Por enquanto, o saque no comércio pode ser utilizado por clientes do C6 Bank em estabelecimentos que têm maquininhas C6 Pay. Por questões de segurança, são permitidos até três saques diários – que juntos podem totalizar R$ 200.

Para facilitar o troco, os saques devem ser feitos em valores redondos de R$ 10, R$ 20, R$ 50, R$ 100 e R$ 200.

Tudo isso casa com o PIX? O PIX, nome do sistema de pagamentos instantâneos que será lançado em novembro, deve incluir a opção de saque no varejo. “Essas soluções estão em linha com o que o regulador tem incentivado, que é criar condições para reduzir o custo da intermediação financeira e ampliar a competitividade do setor”, diz Katz.

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