Em 2012, quando acumulava uma fortuna de nada menos que US$ 34,5 bilhões, Eike Batista ocupava o posto de 8º mais rico do mundo e o mais endinheirado do Brasil. Ele esteve à frente até de — veja só — Jorge Paulo Lemann, um dos controladores da maior cervejaria do mundo, a AB InBev (dona da AmBev), e de Joseph Safra, dono do banco de mesmo nome.

Mas o império de Eike, formado por empresas de petróleo, mineração, energia e infraestrutura, ruiu nos anos seguintes. A derrocada foi causada essencialmente por má gestão, que resultou em resultados (muito) abaixo do esperado e dívida insustentável.

Hoje, mais um capítulo dessa saga foi escrito. A Justiça do Rio de Janeiro determinou a falência da MMX, empresa de mineração que estava em recuperação judicial desde 2014. A decisão se deu porque os credores da empresa não aprovaram o plano de renegociação das dívidas, que propunha um desconto da ordem de 97% — ou seja, para cada R$ 100 devidos, a empresa saldaria somente R$ 3. Ainda cabe recurso à decisão.

A quem pertence a MMX? O sócio majoritário ainda é Eike Batista, com aproximadamente um terço do capital da companhia. A empresa possui ações negociadas na bolsa de valores, embora os papéis estejam valendo quase nada – a cotação caiu de R$ 2.000 em 2010 para míseros R$ 2 atualmente. Quando fundou a empresa, Eike prometia uma produção de minério que somaria 42 milhões de toneladas, mas a MMX só conseguiu atingir os 7 milhões de produção.

Em foto de 2012, Eike Batista faz o famoso símbolo do “X”, letra que tornou-se símbolo do seu império
Crédito: Ricardo Moraes/Reuters

E as outras empresas de Eike? No auge, o império X chegou a ter mais de 10 empresas. Confira o que aconteceu com as principais:

MPX: A empresa de energia foi vendida para o grupo alemão E.ON em 2013, e passou a se chamar Eneva. Houve um processo bem-sucedido de recuperação judicial, em que a Eneva reestruturou a dívida de R$ 2 bilhões, e hoje a empresa possui usinas térmicas e solares para geração de energia elétrica, além de ter participação na exploração de gás em campos do Maranhão.

OGX: Foi na OGX que a crise nas empresas de Eike foi gestada. A exemplo do que aconteceu com a MMX, a empresa de petróleo não conseguiu provar que atingiria a exploração prometida – ao invés de ser “uma nova Petrobras”, como Eike dizia, a OGX produz apenas 8.000 barris de petróleo por dia, em um único campo de exploração.

Eike se desfez da maior parte das ações e é, atualmente, acionista minoritário na empresa, que também mudou de nome, para Dommo Energia. Os credores se tornaram os principais acionistas. As ações da Dommo, que chegaram a valer R$ 375, são negociadas a R$ 4 na bolsa.

LLX: O grupo americano EIG comprou a LLX de Eike ainda em 2013, mudando o nome da empresa para Prumo Logística. Controladora do Porto de Açu, a empresa já teve ações listadas na bolsa, mas fechou capital no ano passado.

A Prumo talvez seja o caso de maior sucesso do Império X, pela rapidez em que reverteu o endividamento, e pelas parcerias que firmou para atuar em outras áreas – ela tem, por exemplo, joint-ventures com a mineradora Anglo American, com a petroleira BP e com o grupo Siemens.

OSX: A empresa naval dependia do sucesso de projetos da OGX e da LLX para prosperar. Com a queda da primeira e a venda da segunda, a OSX entrou em recuperação judicial. Eike repassou 28% das ações da OSX para o fundo Mubadala, de Abu Dhabi.

Hoje, a empresa tem um espaço locado dentro do Porto de Açu, e tem contratos de construção de plataformas com a Dommo Energia. O processo de recuperação judicial, aparentemente ainda longe do fim, traz o risco de a empresa ter o mesmo fim da MMX: a falência.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).