No meio do furacão que atende por coronavírus, apenas uma ação resistiu e fechou a semana passada, mais curta por causa do Carnaval, no positivo, entre as 73  que fazem parte do Ibovespa, principal índice da B3.

Mas quem perdeu menos? E quem foi mais afetado pelo pessimismo mundial com o avanço da doença?

Levantamento feito pela consultoria Economatica mostra que, das 20 ações menos impactadas entre a quarta e a sexta-feira, cinco foram de instituições financeiras (quatro bancos e uma empresa de pagamentos), e quatro, de áreas ligadas à área de saúde (como medicamentos e serviços médico-hospitalares).

Do lado das 20 que mais perderam ficaram empresas ligadas a viagens e turismo (duas companhias aéreas, um programa de fidelidade e uma agência de turismo) e siderúrgicas ou mineradoras (três empresas).

Por que quem menos perdeu foram bancos e empresas ligadas à área de saúde? No caso das empresas ligadas a saúde, como serviços médico-hospitalares e laboratórios, o cenário está diretamente ligado ao coronavírus. A expectativa é que essas empresas possam lucrar com o combate à infecção, o que ajudaria a reduzir suas perdas com uma eventual piora da economia como consequência da doença.

No caso dos bancos, a avaliação do mercado é que o setor não é tão afetado pela infecção como outros segmentos, como aqueles mais ligados ao mercado externo.

“Empresas focadas no mercado interno, teoricamente, possuem uma resiliência um pouco maior. Os bancos tem uma atividade basicamente doméstica”, afirma Glauco Legat, analista-chefe da corretora Necton.

EMPRESASETOR VARIAÇÃO ENTRE 21 E 28 DE FEVEREIRO
IRB Brasil Seguradora 2,24%
HapvidaServiços médico-hospitalares/ laboratórios
-1,43%
Itaú Unibanco Banco-2,08%
Raia Drogasil Medicamentos -2,26%
Santander Banco-2,47%
Taesa Energia elétrica -2,63%
FleuryServiços médico-hospitalares/ laboratórios-2,75%
CieloServiços financeiros -2,84%
BB Seguridade Seguradora -3,48%
Carrefour Alimentos -3,77%

Por que quem mais perdeu foram as companhias aéreas e siderúrgicas? Como as companhias aéreas possuem a maior parte dos seus custos em dólar, e a moeda americana vem sofrendo com o coronavírus, elas sentiram com força o impacto sobre seus preços na semana passada.

A Gol, por exemplo, viu suas ações caírem 24,31% entre a quarta e a sexta-feira, e a Azul perdeu 20,14% de valor no mesmo período.

A avaliação do mercado também é que essas empresas sofrerão com esperados impactos — demanda menor — sobre viagens da proliferação do coronavírus. É por isso que as ações da empresa de turismo CVC (queda de 16,68%) e do programa de milhagens Smiles (-12%) também foram bastante prejudicadas.

As siderúrgicas e as mineradoras (respectivamente, CSN e Gerdau; e Vale) são afetadas diretamente pela expectativa de queda da atividade econômica na China, país onde o surto surgiu.

“Empresas ligadas a commodities, como celulose, mineração e petróleo, tendem a seguir mais o contexto global”, avalia Legat, da Necton.

EMPRESASETOR VARIAÇÃO ENTRE 21 E 28 DE FEVEREIRO
GolTransporte aéreo-24,31%
AzulTransporte aéreo -20,14%
Via Varejo Eletrodomésticos -17,01%
CVCViagens e turismo-16,68%
Companhia Siderúrgica Nacional Siderurgia -14,85%
B2W Digital Produtos diversos (comércio eletrônico)-14,58%
TotvsProgramas e serviços (softwares)-14,48%
MarfrigCarnes e derivados -13,72%
Embraer Material aeronáutico e de defesa -13,20%
WegMotores compressores e outros -13,06%

 

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