Começou nesta terça-feira (13) o Prime Day da Amazon, dois dias de promoções para os assinantes do serviço Prime — iniciativa da gigante do e-commerce que visa a abrir vantagem sobre lojas físicas, que ainda lidam com consumidores assustados com a pandemia e não estão dispostos a encarar multidões na Black Friday.

Este ano, o evento foi transferido de julho para outubro, uma tentativa da Amazon de antecipar a crucial temporada de compras de fim de ano, a concretização de um fenômeno previsto há muito tempo. Mais de três em cada quatro consumidores planejam antecipar as compras Natal neste ano. Um terço deles cita saúde e segurança como principais motivos, de acordo com uma pesquisa do Conselho Internacional de Shopping Centers divulgada na última sexta-feira (9).

Paralelamente, uma pesquisa Harris conduzida em parceria com a Bloomberg concluiu que quase metade dos consumidores planeja fazer a maior parte ou todas as suas compras pela internet.

É uma combinação vitoriosa para a Amazon, que neste ano contratou mais de 175.000 pessoas para sua ampla rede de centros de atendimento depois que a disparada nos pedidos online chegou a sobrecarregar a empresa por um breve período, causando atrasos em algumas entregas.

A companhia teve lucro recorde no último trimestre e as ações avançaram 85% este ano, colocando seu valor de mercado em cerca de US$ 1,7 trilhão.

“É demanda sem precedentes”, disse Andrew Lipsman, analista da eMarketer que estima o gasto online no período de dois dias em quase US$ 10 bilhões, sendo mais de US$ 6 bilhões na Amazon. “As compras de fim de ano continuarão migrando de lojas físicas para online e a Amazon está muito bem alinhada com essas tendências.”

A máquina de entregas da Amazon, focada em conveniência, agora oferece o benefício adicional de segurança na comparação com as lojas físicas. Em abril, os consumidores dos Estados Unidos recorreram à empresa para reforçar estoques de papel higiênico e álcool gel. Depois, precisaram de eletrônicos para trabalhar e assistir aulas em casa. Quando chegou o verão, passaram a encomendar móveis para o quintal e piscinas portáteis.

Agora, a proximidade da temporada de compras de Natal, coincidiu com o aumento de casos de Covid-19 nos Estados Unidos. Logo, as vendas da Amazon podem continuar crescendo no ritmo de dois dígitos, apesar da fraqueza do mercado de trabalho e do impasse no Congresso em torno de novos pacotes de estímulo econômico, como o auxílio semanal de US$ 600 aos desempregados que já perdeu validade.

Concorrentes da Amazon que ainda geram a maior parte da receita em lojas físicas precisam atrair movimento ao mesmo tempo em que protegem a saúde pública. Oito em cada dez consumidores afirmam temer que lojas lotadas espalhem a Covid-19. Assim, varejistas que não oferecem promoções online podem sair perdendo.

Há semanas o setor tenta convencer o público a antecipar gastos. Executivos da American Eagle Outfitters e da Kohl’s esperam demanda antecipada. A veterana Deborah Weinswig conseguiu que duas dezenas de varejistas começassem um novo dia de compras, em 10 de outubro, o “10.10”, para resolver problemas de capacidade e incentivar as pessoas a comprar mais cedo. Target e Walmart também organizaram datas promocionais esta semana.

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