A Via Varejo apresentou, na manhã desta quinta-feira (14), seu balanço financeiro para o terceiro trimestre de 2019. A empresa reportou um prejuízo contábil de R$ 383 milhões, uma alta de mais de 360%.

O resultado operacional foi de prejuízo de R$ 244 milhões, uma alta de 194,5% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando foi de R$ 83 milhões. Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 242 milhões, queda de 42,5% em relação ao terceiro trimestre de 2018.

Loja das Casas Bahia, da holding Via Varejo (VVAR3)

Loja das Casas Bahia, uma das marcas da Via Varejo

O balanço divulgado começa com uma mensagem da nova diretoria executiva, que assumiu depois que o Grupo Pão de Açúcar vendeu o controle da empresa de volta à família Klein. No documento, a direção disse ter encontrado a empresa com uma série de problemas, que impactariam no resultado divulgado mas que estariam sendo resolvidos.

Ao chegar, nos deparamos com uma empresa fragilizada em eixos importantes. Encontramos prejuízo, caixa reduzido e vendas em queda nas lojas e no online. Assumimos uma companhia com margens baixas, sem força de comunicação e com estoques altíssimos (mais de 60% com baixo giro). O relacionamento com nossos fornecedores praticamente não existia. Nosso negócio online chegou a vender 50% menos no mês de agosto (vs 2018), fruto de problemas de integração. As lojas estavam sem pintura, algumas sem nosso letreiro e com layout interno bastante confuso. Muitas operavam com computadores com mais de 10 anos sem serem trocados. Os times de loja não tinham poder de negociação e ainda havia uma grande carga burocrática para explicar a má performance.

Por que esse resultado tão ruim? Além de fatores mais amplos de gestão, a empresa reportou queda nas vendas das lojas físicas, que não foram aplacadas pela expansão verificada no segmento de marketplace da companhia.

A redução nas vendas de mercadorias para as mesmas lojas, de 2,2%, e a “menor penetração de serviços financeiros” foram as justificativas da empresa para uma queda de 10,7% na receita, que foi de R$ 5,69 bilhões no período.

O que mais diz o balanço da Via Varejo? No que diz respeito ao comércio eletrônico, sinais trocados. O desempenho do comércio eletrônico próprio da empresa foi ruim, com queda de 17,3%, para uma receita de R$ 1,5 bilhão. A boa notícia para a empresa foi a expansão do marketplace, que reúne ofertas de diversos comerciantes, e subiu 79% entre julho e setembro.

A Via Varejo também viu um aumento na busca por crédito junto a empresa, que a companhia atribui às novas estratégias adotadas combinadas com a redução na taxa básica de juros, a inflação mais baixa e a retomada da confiança por parte dos consumidores. O setor de crediário e cartões viu sua receita crescer 8,3% e chegar a R$ 433 milhões no terceiro trimestre.

Quais as perspectivas da empresa para a retomada? No comunicado aos investidores, a diretoria executiva detalhou as medidas de recuperação da Via Varejo. Batizada de “fazer varejo de novo”, a nova estratégia incluirá aumento do poder de negociação dos vendedores, que receberão incentivos.

Para o e-commerce, a Via Varejo promete estabilizar e ampliar a capacidade operacional. “Vamos buscar nossa capacidade máxima até a Black Friday. Nossa equipe se uniu nesse objetivo”, diz o comunicado. A empresa também concluiu a integração entre os estoques das lojas físicas e da venda online.

A companhia citou também melhoras de infraestrutura que serão promovidas nas lojas e novas campanhas de comunicação e marketing.

(Com Reuters)

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