A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) tem expectativas conservadoras para as vendas de veículos até o segundo semestre deste ano.

O nível de desemprego, o ritmo lento de vacinação, o aumento do custos dos insumos e a carga tributária são fatores que preocupam a Anfavea para um crescimento mais forte nas vendas.

“Precisamos acompanhar o desempenho da economia e uma coisa que preocupa a Anfavea é o nível de desemprego no país. A situação só vai se resolver com a vacinação, com a abertura da economia, fazendo com que mais clientes tenham condições de comprar bens de consumo mais caros, como carros”, afirmou Luiz Carlos Moraes, presidente da associação.

O desafio para as montadoras é conseguir aumentar o consumo com o aumento dos preços. “Infelizmente tivemos um aumento substancial no preço das commodities, como minério de ferro e plásticos, trouxe um aumento forte ao preço dos carros”, afirma Moraes.

A carga tributária também é uma preocupação para o setor. Moraes considera a carga brasileira absurda, o que diminui o poder de compra dos brasileiros.

Como ficaram as vendas e a produção? Os dados divulgados pela Anfavea nesta sexta (7) mostram que a produção de veículos teve queda de 4,7% – foram produzidas 190,9 mil em abril frente a 200,3 mil em março.

Os licenciamentos também caíram em abril: foram 175,1 mil veículos, número que representa queda de 7,5% em comparação ao mês anterior (189,4 mil).

Falta de peças

O setor continua sentindo os impactos da falta de peças e a Anfavea não descarta paralisações em indústrias – mas que não devem ser generalizadas como aconteceu em março deste ano.

“Estamos imaginando que a indústria de semicondutores vai aumentar a capacidade de produção, mas não vai acontecer de uma hora para a outra. Existe o risco de ter paradas pela falta de semicondutores nos próximos meses, mas imaginamos que até o final do ano vamos ter uma situação mais estabilizada”, afirma Moraes.

Exportação

Moraes defendeu o aumento da exportação de veículos, para tornar o Brasil ainda mais competitivo no setor automotivo.

“Apesar de termos produto, fábrica, mão de obra qualificada e tecnologia, os obstáculos são enormes. Se você exportar acima de 15% ou 20% da produção, você já acumula um custo de carregamento absurdo em créditos tributários”, afirmou Moraes.

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